Os Beselguenses são conhecidos como Ceireiros, devido ao artesanato feito em Junça, planta que nasce, espontaneamente, em algumas serras da região e que serve de matéria-prima para a confecção de muitos artefactos.
A Ceira é um dos artefactos que deu origem ao nome Ceireiros.
Os Ceireiros iam vender esses artefactos por quase todo o país, levando o nome da Beselga mais além.
Lá por longe, do Alentejo ao Minho, andava o chefe de família. Partira com o animal e urna carga para as primeiras despesas. Combinados com a família os primeiros passos do itinerário, lá ia aguardar, nos locais aprazados, os reforços de mercadoria que, da Beselga, a família lhe ia enviando. Faziam-no essencialmente pelo combóio. A mercadoria era entregue na Beselga a uma camioneta de carga que fazia a ligação com Viseu, três vezes por semana. Aí, os capachos e ceiras eram despachados através da CP para as estações em que os maridos aguardavam.
Em alguns casos, bicicletas com suportes reforçados davam uma ajuda aos vendedores. Percorriam enormes distâncias, conheciam Portugal e só não há noticia de palmilharem o Baixo Alentejo e Algarve.
Depois de quatro ou cinco meses de nomadismo, regressavam à aldeia com o apuro de toda esta epopeia. Era altura de preparar a terra para novo ciclo agrícola e fazer férias de ceireiro.
Com eles vinham as histórias protagonizadas ou presenciadas por longínquas paragens. Vinham notícias do mundo que calcorrearam, perante o ar de espanto dos familiares.
Mário Lourenço
Veja a história completa em
http://www.associacaobeselguense.pt/artesanato/act.html
Nos nossos eventos de BTT, têm vindo a participar centenas de BTTistas, oriundos de quase todo o país (gesto que muito agradecemos) levando uma vez mais a Beselga aos quatro cantos do país.
No cartaz pretendemos retratar a transformação da bicicleta, pois entendemos que cada BTTista acaba por ser “Ceireiro” na sua terra.
Por isso, “Os Trilhos do Ceireiro” esperam por ti!