Esquecendo-me de convocar a comunicação social para o acto que se segue, e ciente que também não teria dois companheiros para me ladearem na fotografia, faço uma breve retrospectiva muito simples (e por alto) da Arouca actual.
Desde os tempos do Dr. Zola que Arouca vive à sombra de um delongado melhor futuro prometido com uma melhor ligação ao litoral. Daí para cá nada se fez para contrariar todos os índices negativos conotados a Arouca. O Dr. Zola obteve três mandatos à custa dessa ligação e de algumas obras que se manifestaram serem verdadeiramente supérfluas. O técnico Neves segue as mesmas pisadas.
Retalhando este meu suposto comunicado de imprensa, o actual presidente da câmara eleito em 2005 poucos dotes tem mostrado para encaminhar Arouca para um melhor futuro. Exceptuando os incessantes arranjos no parque e jardins da nossa vila todos os outros projectos não passam de meras utopias, que o executivo carinhosamente denomina por protocolos.
De alguns anos a esta parte os Arouquenses acostumaram-se à máxima de que Arouca estava a crescer e se tinha desenvolvido bastante. Acredito que a freguesia de Arouca (e as mais próximas) sim, mas todas as outras regridem no desenvolvimento. Todo este crescimento em torno da vila de Arouca é uma consequência natural da centralização e não uma causa com origem na pessoa A, B ou C. O encerramento das escolas é apenas uma prova (das muitas que se poderiam dar) do que acabei de referir. "Fecha uma escola, morre uma aldeia", como alguém referiu.
Mas, tudo uma variante resolverá. Será mesmo assim? Presumo que assim não seja. Arouca não tem capacidade para atrair investimento. Se nesta altura as pessoas aceitam de bom grado a justificação da falta de acessibilidades, o que mudará após a variante? As nossas zonas industriais têm péssimos acessos e, incrivelmente, são obras recentes. Temos o exemplo da zona industruial da Mata (São Domingos) que tem acessos inaugurados à menos de um ano e que são um verdadeiro quebra-cabeças, por exemplo, para camiões. As zonas industriais têm péssima cobertura de banda larga, factor importantíssimo hoje em dia. Não há um incentivo à fixação de investimento, logo de capital, em Arouca. E isso, meus caros conterrâneos, não será resolvido com uma variante.
Arouca carece de oferta de emprego, nomeadamente para trabalhadores qualificados. Arouca não tem oferta de bens para os contribuintes. Continuam-se a cometer erros gravíssimos nos recursos humanos do sector público em Arouca. Não há qualquer tipo de preocupaçãos e visão futurista no planeamento. Quando se espera que uma estrada seja a solução para todos os problemas, estreitam-se estradas de acesso directo à vila (mal se cruzam dois carros). Escasseiam parques de estacionamento em novos focos habitacionais. O saneamento alonga-se pela eternidade, enquanto isso vai sustentando lobys. O fundo do concelho alarga-se de dia para dia e vai ficando cada vez mais distante. Poderia enumerar outros factores, mas é minha intenção falar português que se ensina nas escolas e não o português político, onde tudo o que é proferido entoa como uma bela sinfonia, mas da qual poucos percebem o que se quer dizer. É meu intento mostrar em bom português o quão fraco é o nosso actual executivo. Qual o meu interesse falar em PDM ou PIDDAC se poucos sabem a sua verdadeira interpretação (se alguém a souber verdadeiramente)?
Não obstante a isso o presidente recreia os Arouquenses com uns bonitos jardins, uns passinhos de dança, umas palavras simpáticas e cordiais aos olhos de todos e vai dissimulando toda a sua inépcia para administrar os destinos e o futuro de Arouca.
Utilizando a expressão do Óscar Brandão no seu blog,
"Quem vier atrás que feche a porta".