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Notícias publicadas no arouca.biz:
Vinte e quatro escolas devem encerrar
O Primeiro de Janeiro , 01-Fev-2006
O Ministério da Educação quer encerrar 24 escolas do ensino básico nos concelhos de Arouca e Vale de Cambra. “Doze no Agrupamento de Escolas de Arouca, três no Agrupamento de Escolas de Escariz e nove no Agrupamento de Escolas do Búzio, em Vale de Cambra”, especificou, em comunicado, a Área Sindical de S. João da Madeira do Sindicato dos Professores do Norte (SPN).
Defendendo a ideia que as crianças necessitam de condições para fazerem uma escolariedade adequada e de que as comunidades têm o direito em preservar a sua identidade, a filial do SPN realizou, ontem, uma conferência de imprensa, junto da Escola EB 1 de Albergaria da Serra, em Arouca, para denunciar esta situação.
Segundo a direcção da Área Sindical, os alunos vão ser deslocados destas escolas para instituições de ensino mais afastadas mas “com condições idênticas as que tinham”. Denunciando que das 13 escolas que vão receber as crianças, a maior parte tem escassos e pouco diversificados materiais didácticos e que somente quatro têm cantina. A associação adianta que as turmas são constituídas por alunos de vários anos de escolaridade, o que implica um trabalho acrescido por parte dos professores.
No comunicado, o sindicato salienta o facto de não haver nenhuma garantia “de reforço orçamental das autarquias de modo a garantir o acréscimo de despesas que terão em transportes escolares”. A mesma situação também se verifica no que respeita a investir na construção e equipamentos escolares devidamente equipados, como cantinas, salas de aula ou espaços desportivos.
De acordo com a associação sindical, em Setembro deste ano, a situação será pior que a actual, pois “os alunos estarão numa escola de idêntica falta de condições, mas mais longe de casa, com os consequentes transtornos para as famílias e autarquias”. Com esta decisão, a taxa de desemprego entre os professores do primeiro ciclo aumentará, alerta a associação. Para o sindicato, o Ministério é o único que beneficia com esta medida, “que poupa uns troquitos à custa do emprego de uns tantos professores”, critica.
A associação entende que o fecho destas escolas acentua a desertificação rural e serrana
Alunos vão ter aulas em contentores
JN , 17-Ago-2006
Cerca de duas centenas de alunos de escolas do primeiro ciclo do Ensino Básico que encerraram no concelho de Arouca vão passar os próximos três anos a ter aulas em contentores. Os estabelecimentos de ensino foram fechados por ordem do Ministério da Educação, sem que as escolas de acolhimento tivessem capacidade para o esperado acréscimo de estudantes. A solução encontrada foi alugar 23 contentores pelos quais a autarquia vai pagar, pelo contrato de um ano, 40 mil euros. Depois, terá que efectuar um novo concurso público de aluguer, que durará até que estejam concluídos os novos centros escolares.
Esta medida está a ser duramente criticada pela Oposição em Arouca, que acusa a autarquia de não fazer valer os interesses dos alunos e do concelho.
O vereador do PSD, Óscar Brandão, acusa o presidente da Câmara, Artur Neves, de ter tomado a decisão "à revelia do Executivo" e, adianta, "subjugando-se a uma visão tecnocrática do Ministério, levando o Município a gastos substancialmente elevados no aluguer dos contentores e no transporte dos alunos".
Óscar Brandão afirma, ainda, que a autarquia está a recuperar espaços escolares que, "já se sabe, vão encerrar a curto prazo".
O vereador José Luís Silva, do movimento Unidos por Arouca, diz ser "lamentável que os alunos sejam colocados em contentores quando há escolas com infra-estruturas que vão ser abandonadas". O autarca adianta que a decisão foi apresentada como "um dado adquirido sem a Câmara ter evidenciado todos os esforços e defendido os interesses dos alunos e do Município".
A Oposição lembra que, em Janeiro, a autarquia aprovou, por unanimidade, uma moção onde era referido que não tinha "possibilidades de responder cabalmente às exigências da construção de novos centros escolares (com refeitórios, recursos pedagógicos e didácticos adequados e de espaços de qualidade para ocupação de tempos livres) e mesmo no transporte de alunos".
Para o presidente da Câmara as acusações da Oposição são "uma falsa questão". Artur Neves refere que não podia "fazer tábua rasa da decisão do ministério" e que, "não era boa política haver escolas com poucos alunos e sem condições". Garante que os novos espaços têm "condições magníficas de aprendizagem, onde se inclui climatização, que em algumas salas antigas não existiam". "Só a Oposição está contra esta mudança", diz Artur Neves.
Encerramento de Escolas do 1º Ciclo. Câmara aprova moção proposta pelo PSD
Arouca.biz , 01-Fev-2006
A moção foi apresentada pelos veredaores do PSD tendo depois sido alterada em contexto de reunião e aprovada por unanimidade.
“Tendo sido tornado público a intenção do Ministério da Educação em encerrar este ano, no concelho de Arouca, dezasseis escolas da rede do 1° Ciclo e considerando que esta medida não tem consigo a preocupação de acautelar em conjunto de pressupostos, nomeadamente os de que:
As escolas com menos de 20 alunos são exactamente aquelas que se situam nas aldeias mais desfavorecidas económica e culturalmente, onde são baixas as taxas de escolarização das famílias;
Esta decisão não acautela nem o interesse das crianças – sendo elevados os custos, dado que se inicia um novo processo de (re)sociabilização - e das famílias;
O Município de Arouca não ter possibilidades de responder cabalmente às exigências da construção de novos centros escolares (com refeitórios, recursos pedagógicos e didácticos adequados e de espaços de qualidade para ocupação de tempos livres) e mesmo no transporte de alunos;
Que o Governo ainda não tomou as medidas adequadas, mobilizando os recursos financeiros indispensáveis à reorganização da rede escolar no 1° CEB;
Que não foi ouvida a comunidade educativa;
Que a Carta Educativa de Arouca ainda não está concluída;
Em função do exposto,
A Câmara Municipal de Arouca, reunida em 17 de Janeiro de 2006, manifesta, por unanimidade, a sua preocupação na imediata implementação desta medida. Neste contexto, este órgão apela ao Governo que estas alterações sejam implementadas de uma forma faseada (ao longo dos próximos quatro anos) de modo a permitir que o município possa criar condições logísticas e infra-estruturais para que o processo decorra com toda a dignidade para educandos, educadores, pais e encarregados de educação e, acima de tudo, para as populações visadas, desde que o Ministério da Educação garanta os meios financeiros para a implementação das intenções que agora são tornadas públicas.”
Aprovada por unanimidade moção contra fecho de escolas
Jornal de Notícias , 28-Jan-2006
A população de Arouca está apreensiva com a possibilidade de fecho de 16 escolas da rede do 1.º Ciclo do Ensino Básico. Dando voz a essas preocupações, a Câmara Municipal aprovou uma moção, proposta pelos vereadores do PSD e subscrita por unanimidade, que manifesta a apreensão pelo propósito do Governo em encerrar as escolas que, entre outras características, tenham menos de 20 alunos.
O presidente da Câmara, José Artur Neves, afirmou, ao JN, que a maioria dos membros da Câmara, incluindo a Oposição, "compreendem a necessidade de algumas alterações na rede escolar", mas realça o facto de não estarem garantidas as necessárias alternativas.
O autarca diz que reuniu com a responsável pela Direcção Regional de Ensino do Norte, a quem transmitiu a necessidade de serem disponibilizados meios financeiros para colocar em prática um sistema de cantinas escolares e rede de transportes eficazes.
CDU - Comunicado sobre «O encerramento das escolas»
CDU , 19-Jan-2006
«O encerramento das escolas»
Perante a anunciada vontade do governo de encerrar dezasseis escolas do nosso concelho e considerando que:
- encerrar uma escola é sempre acelerar o processo de desertificação de uma aldeia;
- as distâncias a percorrer pelas crianças são enormes, obrigando meninos de sete e oito anos a sair de casa de madrugada e a regressar quase noite;
- Algumas das escolas para onde querem enviar as crianças não têm o mínimo de condições de acolhimento (algumas não têm cantina, noutras faltam salas de aula);
- O que as aldeias precisam não é que se lhes retirem serviços, mas sim que se criem mais (de saúde e outras infra-estruturas) de forma a promover o desenvolvimento e fixar as pessoas:
- Só uma atitude de firme resistência poderá travar esta intenção do governo que se diz socialista. A CDU – Coligação Democrática Unitária, fiel aos seus princípios e aos compromissos que assumiu junto à população do concelho:
- protesta veementemente contra esta intenção do governo do engenheiro José Sócrates;
- exige que os orgãos autárquicos, Juntas de Freguesia, Câmara Municipal e Assembleia Municipal, tomem posição sobre o assunto e defendam os interesses das pessoas e do concelho;
- apela à população para que se organize e faça ouvir a sua voz;
- manifesta toda a disponibilidade para participar em todas as lutas e exigir que sejam revistas todas as situações (que são a grande maioria) que constituem um crime contra os interesses das crianças, da população, das aldeias e do concelho.
Arouca 12 de Dezembro de 2005
A Comissão Concelhia da CDU
QUEREM FECHAR DEZASSEIS ESCOLAS EM AROUCA
MALDITOS SEJAM
O governo quer encerrar as escolas de Albergaria da Serra, Vila Nova (Alvarenga), Rio de Frades, Vila Viçosa, Telhe, Fuste, Parada, Santa Maria do Monte, Ribeira, Souto Redondo, Soutelo, Bouça, Lázaro e Agras.
Os senhoritos, vaidosos e ignorantes do país real que somos, que pincharolam nos corutos do dinheiro e da governação – sempre os mesmos, do governo para as grandes empresas e destas para o governo – arrumam as dificuldades com uma ordem emanada das suas iluminadas cabeças: feche-se! Sem mais, fechem-se as escolas, fechem-se os serviços de urgências dos centros de saúde, fechem-se os concelhos, se necessário, em especial se serranos ou do interior forem.
É tempo, meus amigos, de desenterrar os fueiros que hajam sobejado da voracidade do tempo e ensarilhá-los sobre as cabeças que nos desprezam e, sem pestanejo, nos cavam o deserto de almas e, de novo, a estranja como destino.
Vão fechar dezasseis escolas do ensino básico, quase tantas como as que ficarão a funcionar. Fechar, expulsar os meninos e os mestres, condenar à fogueira as mesas e cadeiras e, depois, deixar que os edifícios virem casebres abandonados, até à consumação total.
Peroram, os sabichões, que as escolas têm poucos alunos, que isso leva muito dinheiro a ensinar o a, b, c aos serranitos e que estes melhor aprenderão em outras turmas, com mais companheiros, conseguindo-se também – fique-se de boca aberta perante a generosa grandiloquência do conceito – uma maior e melhor socialização!
Deixemo-los, por agora, com a verborreia criminosa em que se comprazem e coloquemos nós os pés no chão sagrado e real que nos viu nascer.
Viu-se a nossa gente, os pais de família e os rapagões na flor da idade, obrigada a emigrar ou demandar outras paragens do litoral, porque as dificuldades eram muitas e não há mais natural direito que o de procurar uma vida melhor. Com isso se despovoaram as aldeias e esmoreceu o desejo de voltar. Com isso, fruto do desprezo a que o interior sempre foi votado, minguaram os casais jovens e, com eles, a prole em idade escolar.
Um país que seja pai, uma pátria que estremeça como mãe protectora, tudo deverá fazer para inverter o rumo deste destino. Criar condições, para que as pessoas aqui se fixem, revitalizar os lugares, as freguesias e os concelhos, trazer o equilíbrio a este país que perigosamente se inclina para o litoral e que, de tanto inclinar, um dia se afundará nas águas revoltas que as injustiças trazem.
Fecham-se as escolas por terem poucos alunos? Então porque vai encerrar a das Agras, em Mansores, onde dezasseis meninos aprendem e se prevê a entrada de mais alguns no próximo ano lectivo?
Querem que percebamos, e nós temos poder de entendimento, tomem-nos por tudo menos por tolos, que um aluno tem melhores condições de aprendizagem e, sobretudo, integral crescimento numa escola com mais alunos? Concedamos que em alguns casos assim é, mas o drástico de uma medida destas tem de ser entendido no complexo de um processo de equilibrado desenvolvimento.
A grande batalha que temos nas nossas aldeias, especialmente nas da Serra, é a do combate à desertificação e da sua revitalização como factor de ordem cultural e ambiental, que o mesmo é dizer como contributo para a preservação dos nossos valores e da nossa paisagem, de desenvolvimento harmonioso do concelho e do país e, mais importante que tudo, de olharmos para as pessoas, quer vistam burel ou o mais fino tecido inglês, como sujeitos de direitos e dignidade, que não podem alienar a alma que lhes forma o desejo de viver com qualidade na terra que os viu nascer.
O que precisamos não é que nos criem as condições para mais depressa partir, o que precisamos e exigimos é que sejam criadas as condições de ensino, saúde, infra-estruturas e desenvolvimento económico que cimentem a vontade de ficar.
Fica caro ensinar a pequenada? As escolas não têm condições? Refinado embuste é este em que querem fazer cair! É que algumas escolas que vão receber os meninos, algumas tão longe que obrigarão os cachopos a sair da cama com o luar, não reúnem quaisquer condições para o fazer. Ou não é verdade que faltam cantinas em muitas delas, como Vila Cova, Paços, Ponte de Telhe e Provisende? E não é também verdade que faltam salas de aula em Arouca, Vila Cova, Bacêlo e Urrô? Vai-se amontoar a pequenada e condená-los a ir de marmita para escola? Ou vai-se, uma vez mais, atirar a responsabilidade para cima das autarquias? E quanto custa o transporte e o colmatar das insuficiências existentes?
Além do mais, o destino de uma aldeia não pode ser analisado em termos de deve e haver. Do que estamos a falar é de pessoas, da vida ou da morte de espaços importantes do concelho e do país, da preocupação de construirmos felicidade e alegria, onde os crimes anunciados querem semear deserto. Saibamos, ao menos, aproveitar a bagalhoça que a Europa põe à disposição da revitalização do mundo rural, procurando travar o que este governo de maldição nos quer impor como destino. Como se um único destes meninos ou destes lugares não fossem mais importantes que todas as OTAs e TGVs juntos!
E não obriguemos os meninos de Albergaria da Serra a ir para Provisende, os da Espiunca para Vila Cova, os de Fuste para Paços, e todos os outros de tão perto que hoje estão para um tão longe que nada lhes oferece.
Aqui chegados, abandonados, maltratados, ignorados e ofendidos não resta aos filhos da Serra e do interior outro caminho que não seja partir. Partir sempre e deixar para trás as almas e as lágrimas vagueando em aldeias desertas e montes de sofrimentos e abandono. Ou então, rapar dos fueiros, dos forcados, das aguilhadas e, sobretudo, das vozes e dos gritos, e construir uma frente de protesto e de indignação que faça parar, repensar e retroceder estes coveiros das nossas esperanças.
E nesta luta temos de estar todos: os que têm os meninos na escola à porta de casa, os que agora sentem ameaçados os seus direitos, os pedreiros e os doutores, os anónimos cidadãos e os autarcas que são eleitos, para defender os nossos interesses. Qualquer atitude de indiferença será pecado sem remissão, mesmo perante o mais liberal deus do mais liberal socialista. Malditos sejam!
Manuel Brandão
Nota do Admin:
Este é um assunto que já anda aqui á muito tempo, e que está referenciado em outras discussões relacionadas com os encerramentos que parecem estar na moda.
Peço que como de costume evitem as conversas cruzadas ou de teor pessoal, todos ficamos a ganhar com um saudavél debate sobre um tema tão importante como este.
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