Pois concerteza que não basta recuperar aldeias (históricas ou não). Temos que fazer a história para que possam ser um dia históricas noutros sentidos mais amplos.
Todo o nosso património (não só o edificado) deverá ser preservado e enquadrado numa perspectiva envolvente e que cative quem quer que nos visita e, obviamente, alargando a oferta e diversificação da mesma, poder-se-ão atingir públicos-alvo muito mais alargados.
Daí que eu defenda não apenas iniciativas avulsas mas planos muito concretos e preferencialmente consensuais (se é que isso é possível em Portugal, Arouca em particular...). Daí também que eu defenda que este projecto global não passe (apenas) por uma vontade de quem está no poder local, mas de toda uma sociedade que se une por si mesma. Claro que já entro no campo da utopia... mas sem essa perspectiva global, do interesse de todos e com a participação de toda uma comunidade, haveria sustentabilidade na exploração turística da região.
As iniciativas particulares e avulsas, são apenas parte do caminho. A inexistência de um plano orientativo de se saber o que se quer e por onde seguir, poderá ajudar que não sejam cometidos os maiores atropelos e atentados urbanísticos que vão crescendo como cogumelos pela região.
Um dos problemas que eu vejo em Arouca (porque é daqui que estamos a falar) é que se gasta demasiada energia nos combates políticos e ataques pessoais do que verdadeiramente em prol da região. Muitos aspiram ao poder e outros quando por lá passam olham demasiado para um (pequeno) umbigo e sem perspectivas de médio e longo prazo. Navega-se demasiado à vista.
Terá de ser mesmo uma sociedade civil a organizar-se e as entidades publicas e de poder local/regional a participarem sem liderar. Um projecto a sério é imprescindível a participação autárquica e das juntas de freguesia mas não pode ser comprometida por mandatos políticos e comprometimentos eleitorais.
Efectivamente compreendo que seja uma gestão nada fácil, conciliar a ruralidade, com o bem estar de quem precisa de trabalhar, ter filhos nas escolas e manter um determinado nível de vida e conforto.
Faz alguns anos que troquei eu mesmo o conforto de um apartamento com umas floreiras em Gaia, para ter uma casa na serra da Freita e alguns milhares de m2 para cultivar. E sei bem o que isso custa.
A animação só pode ser dada com vida e de preferência com habitação permanente, não a esporádica de fim de semana. Mas antes essa que nenhuma. A questão dos empregos é que dificulta muito as coisas, pois cada vez menos temos reais vantagens na vida da lavoura e pecuária, a não ser sustentada numa subsídiação acompanhada por uma rede de escoamento dos produtos mais ou menos garantida e essa passará sempre pela comunidade e cooperativismo.
A outra vertente só pode ser o turismo. (ou ainda e preferentemente, as duas soluções combinadas).
De outra forma, não vejo com muito futuro a criação local de empregos que permita trazer habitantes e fixar as pessoas.
Há ainda alguns poucos exemplos de soluções como em Belgais (Idanha a Nova, Castelo Branco) onde a Maria João Pires em tempos desenvolveu uma escola de ensino da musica, com inúmeros "residentes" inclusivamente do estrangeiro, onde foram desenvolvidas as condições de sossego e enquadramento interessantíssimas ao desenvolvimento das artes (musical neste caso). Mas estes projectos (como foi o de Belgais precisamente) quando a "torneira" do Ministério da Cultura aperta ou se extingue...
Respondendo directamente a pergunta que fizeste: não conheço nada à venda ou aluguer nem tão pouco quem o possa fazer. Mas não sei até que ponto aquele projecto das quintas sociais da CMA não se enquadra ou não terá nada por essas bandas.
De resto, devo felicitar-te por essa vossa iniciativa desejando sucesso e muitas conversas por aqui
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