Contrariando a tradição de dar a beijar o Menino Jesus, no final da Missa do dia de Natal, o Pe. João Pedro Bizarro, pároco nas Paróquias de Arouca, Santa Eulália e Rossas, optou por quebrar a tradição, não dando a beijar aos fiéis a pequena imagem do Menino Deus, exposta no bercinho do presépio.
E fê-lo explicando, de uma maneira breve, clara, mas sucinta, o motivo que o levou a tomar tal opção, sem contudo, deixar de referir que, quem o quisesse fazer, poderia, no final da celebração, passar alguns breves momentos em oração junto ao presépio e perante o símbolo de barro do autor da vida cujo nascimento era celebrado por todos os cristão naquele dia.
Situando esta medida no contexto do próximo referendo sobre o aborto, pretendeu o Pároco, com esta atitude de não dar a beijar a figura do Menino, como sempre fora tradição naquelas comunidades paroquiais, exprimir simbolicamente o beijo que muitas mães não chegam a dar aos seus filhos, por lhes ser interrompido o processo de gestação dentro do próprio ventre materno.
Quis, por outro lado, exprimir também o beijo que muitos desses bebés não chegam a receber de seus pais, por serem mortos antes de nascerem.
Apesar de usar uma linguagem algo chocante ao referir o termo assassínio, o Pe. João Pedro teve o cuidado de referir que o problema do aborto é demasiado complexo e profundamente dramática é, em muitos casos, a situação de algumas mães que recorrem ao aborto para se libertarem de uma gravidez não desejada.
Mais do que dirimir opiniões pró ou contra o aborto; mais do que argumentar invocando pressupostos religiosos, filosóficos, ou científicos, este gesto expressivo pretendeu provocar, acima de tudo, a consciência das pessoas que irão votar no próximo dia 11 de Fevereiro.
Não sendo o aborto um tema exclusivamente religioso, nem meramente político, mas tratando-se de um assunto profundamente humano que toca no íntimo da consciência das pessoas, este gesto, em pleno dia de Natal, foi não só provocador, como também pedagogicamente oportuno, no sentido de alertar a consciência das pessoas e, nomeadamente dos cristãos, para o dever de se colocarem sempre ao lado da defesa da vida, contrariando assim uma crescente cultura da morte que vai surgindo na nossa sociedade, começando mesmo por certos meios de comunicação social, que deveriam ter a responsabilidade de defenderem a vida e não de promoverem a morte.
Por isso mesmo, não posso deixar de apoiar este gesto provocador, em dia do nascimento do Deus Menino, tendo, felizmente, a certeza de que muitos me acompanharão neste alerta em defesa da vida e o concretizarão também no próximo dia 11 de Fevereiro.
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Comentários (7)
Em choque...
Sinceramente, deixa-me em choque esta atitudes que alguns elementos do clero decidem ter. No sentido de tentar passar uma mensagem, no hesitam em usar qualquer mtodo. Refora apenas a minha ideia que, cada vez mais, no se devem confundir padres com catolicismo.
Democracia e cidadania
Caríssimo Pedro Sousa
Penso que tu és que estás verdadeiramente confundido,ou então não saberás bem o que será isso do direito de cidadania,que leva a que qualquer cidadão, independentemente da sua cor, credo,profissão,ou filiação partidária, poderá e deverá intervir por causas que julgue válidas. E a causa do direito à vida é das mais nobres e fundamentais. Por isso não entendo, de modo algum, o teu choque perante um gesto que eu considero, como já escrevi, não só oportuno, como pedagógico.
A tua incompreensível reacção, de quem supunha democrático, só me leva a deduzir (talvez possa estar errado) que se a intervenção fosse no sentido contrário, o choque daria lugar ao aplauso. Terás o direito de o fazer. Não terás, porém o direito de impedir que outros opinem e ajam diferentemente. E a isto, meu caro Pedro, chama-se simplesmente DEMOCRACIA.
E para mim, a tua reacção, não passa de um gesto antidemocrático, por não admitir a liberdade de outros se exprimirem e de usarem o seu direito de cidadania, que a constituição portuguesa a todos confere, independentemente da opção partidária, ou da crença religiosa.
José Cerca
Penso que tu és que estás verdadeiramente confundido,ou então não saberás bem o que será isso do direito de cidadania,que leva a que qualquer cidadão, independentemente da sua cor, credo,profissão,ou filiação partidária, poderá e deverá intervir por causas que julgue válidas. E a causa do direito à vida é das mais nobres e fundamentais. Por isso não entendo, de modo algum, o teu choque perante um gesto que eu considero, como já escrevi, não só oportuno, como pedagógico.
A tua incompreensível reacção, de quem supunha democrático, só me leva a deduzir (talvez possa estar errado) que se a intervenção fosse no sentido contrário, o choque daria lugar ao aplauso. Terás o direito de o fazer. Não terás, porém o direito de impedir que outros opinem e ajam diferentemente. E a isto, meu caro Pedro, chama-se simplesmente DEMOCRACIA.
E para mim, a tua reacção, não passa de um gesto antidemocrático, por não admitir a liberdade de outros se exprimirem e de usarem o seu direito de cidadania, que a constituição portuguesa a todos confere, independentemente da opção partidária, ou da crença religiosa.
José Cerca
Nota do admin
A discussão sobre o tema do aborto está em discussão no nosso fórum desde Novembro de 2005 em:
http://www.aroucaonline.com/forum/index.php/topic,104.0.html
http://www.aroucaonline.com/forum/index.php/topic,104.0.html
Resposta ao arouka
Caro,
Eu acho bem que o pároco tome posições. Aliás, julgo até que deve (seja ela qual for). Acho totalmente errado é apropriar-se de uma cerimónia que não lhe "pertence", para tomar uma posição. Seja ela qual for!
Eu acho bem que o pároco tome posições. Aliás, julgo até que deve (seja ela qual for). Acho totalmente errado é apropriar-se de uma cerimónia que não lhe "pertence", para tomar uma posição. Seja ela qual for!
Descontextualização.
Caro Pedro Sousa
Poderá não te "pertencer" a ti, mas a cerimónia pertence-lhe tanto a ele, como pároco e presidente da Assembleia dominical, como aos cristãos que nela participam. Não fiz nenhuma sondagem, mas a impressão que colhi, junto de muitos paroquianos presentes nessa celebração dominical, foi francamente positiva e de concordância com o gesto, intencionalmente "provocador", do pároco. Estou perfeitamente convicto que, se estivesses presente, terias uma ideia totalmente diferente e o teu "choque" até talvez nem tivesse tido lugar a surgir. Agora criticar ou qualificar um gesto fora do seu contexto, pode levar a opiniões erróneas, porque descontextualizadas.
Um Feliz Ano Novo.
José Cerca
Poderá não te "pertencer" a ti, mas a cerimónia pertence-lhe tanto a ele, como pároco e presidente da Assembleia dominical, como aos cristãos que nela participam. Não fiz nenhuma sondagem, mas a impressão que colhi, junto de muitos paroquianos presentes nessa celebração dominical, foi francamente positiva e de concordância com o gesto, intencionalmente "provocador", do pároco. Estou perfeitamente convicto que, se estivesses presente, terias uma ideia totalmente diferente e o teu "choque" até talvez nem tivesse tido lugar a surgir. Agora criticar ou qualificar um gesto fora do seu contexto, pode levar a opiniões erróneas, porque descontextualizadas.
Um Feliz Ano Novo.
José Cerca
Para terminar...
Caro José Cerca,
Quando respondi à primeira resposta, nem me apercebi que o arouka era seu. Peço desculpa, nem sabia que estava a responder ao autor do texto.
Concordo em geral com o que escreve, a cerimónia pertence tanto ao pároco como aos cristão que nela participam. Será que se um cristão que nela participava (e a quem pertence, em igual parte, a cerimónia) tem o direito de, no meio da cerimónia, arranjar forma de expressar convicções? Tenho as minhas dúvidas, mas, por favor, não sugira que não sou DEMOCRATA. Isso é quase um insulto (que eu percebo que não fosse o objectivo).
Apenas considero que uma cerimónia religiosa, em si, não deve conter manifestações "politicas" (entenda-se aqui politicas, não como colagem a qualquer partido, mas como colagem a um dos lados de um referendo). O Pároco pode (e DEVE) fora das cerimónias, usando a importância que tem na comunidade, fazer a sua campanha. Dentro de uma igreja e durante uma cerimónia, perdoe-me, mas não compreendo. Acho que é quase um "usurpar de funções"!!
Quando respondi à primeira resposta, nem me apercebi que o arouka era seu. Peço desculpa, nem sabia que estava a responder ao autor do texto.
Concordo em geral com o que escreve, a cerimónia pertence tanto ao pároco como aos cristão que nela participam. Será que se um cristão que nela participava (e a quem pertence, em igual parte, a cerimónia) tem o direito de, no meio da cerimónia, arranjar forma de expressar convicções? Tenho as minhas dúvidas, mas, por favor, não sugira que não sou DEMOCRATA. Isso é quase um insulto (que eu percebo que não fosse o objectivo).
Apenas considero que uma cerimónia religiosa, em si, não deve conter manifestações "politicas" (entenda-se aqui politicas, não como colagem a qualquer partido, mas como colagem a um dos lados de um referendo). O Pároco pode (e DEVE) fora das cerimónias, usando a importância que tem na comunidade, fazer a sua campanha. Dentro de uma igreja e durante uma cerimónia, perdoe-me, mas não compreendo. Acho que é quase um "usurpar de funções"!!
Para terminar mesmo.
Caro Pedro Sousa
Quanto a mim, que presenciei as palavras e o todo o contexto em que aquele gesto se inseriu, não me parece - tenho mesmo a certeza disso- que nem foi um "fazer campanha", nem muito menos "um usurpar de funções". Antes pelo contrário. Sabendo tu, tão bem como eu, qual a posição oficial da Igreja sobre o aborto e o direito à vida, está perfeitamente dentro das funções e deveres de qualquer sacerdote esclarecer os cristãos sobre essa posição. E esclarecer é bem diferente de impor ou de fazer campanha. E foi isso que se passou. E por isso mesmo não posso deixar de apoiar publicamente esse gesto a que eu chamei, intencionalmente, de "provocador", no bom sentido da palavra, claro. E ponto FINAL.
José Cerca
Quanto a mim, que presenciei as palavras e o todo o contexto em que aquele gesto se inseriu, não me parece - tenho mesmo a certeza disso- que nem foi um "fazer campanha", nem muito menos "um usurpar de funções". Antes pelo contrário. Sabendo tu, tão bem como eu, qual a posição oficial da Igreja sobre o aborto e o direito à vida, está perfeitamente dentro das funções e deveres de qualquer sacerdote esclarecer os cristãos sobre essa posição. E esclarecer é bem diferente de impor ou de fazer campanha. E foi isso que se passou. E por isso mesmo não posso deixar de apoiar publicamente esse gesto a que eu chamei, intencionalmente, de "provocador", no bom sentido da palavra, claro. E ponto FINAL.
José Cerca
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