Terça, 26 Dezembro 2006 18:16
Escrito por José Cerca

Contrariando a tradição de dar a beijar o Menino Jesus, no final da Missa do dia de Natal, o Pe. João Pedro Bizarro, pároco nas Paróquias de Arouca, Santa Eulália e Rossas, optou por quebrar a tradição, não dando a beijar aos fiéis a pequena imagem do Menino Deus, exposta no bercinho do presépio.
E fê-lo explicando, de uma maneira breve, clara, mas sucinta, o motivo que o levou a tomar tal opção, sem contudo, deixar de referir que, quem o quisesse fazer, poderia, no final da celebração, passar alguns breves momentos em oração junto ao presépio e perante o símbolo de barro do autor da vida cujo nascimento era celebrado por todos os cristão naquele dia.
Situando esta medida no contexto do próximo referendo sobre o aborto, pretendeu o Pároco, com esta atitude de não dar a beijar a figura do Menino, como sempre fora tradição naquelas comunidades paroquiais, exprimir simbolicamente o beijo que muitas mães não chegam a dar aos seus filhos, por lhes ser interrompido o processo de gestação dentro do próprio ventre materno.
Quis, por outro lado, exprimir também o beijo que muitos desses bebés não chegam a receber de seus pais, por serem mortos antes de nascerem.
Apesar de usar uma linguagem algo chocante ao referir o termo assassínio, o Pe. João Pedro teve o cuidado de referir que o problema do aborto é demasiado complexo e profundamente dramática é, em muitos casos, a situação de algumas mães que recorrem ao aborto para se libertarem de uma gravidez não desejada.
Mais do que dirimir opiniões pró ou contra o aborto; mais do que argumentar invocando pressupostos religiosos, filosóficos, ou científicos, este gesto expressivo pretendeu provocar, acima de tudo, a consciência das pessoas que irão votar no próximo dia 11 de Fevereiro.
Não sendo o aborto um tema exclusivamente religioso, nem meramente político, mas tratando-se de um assunto profundamente humano que toca no íntimo da consciência das pessoas, este gesto, em pleno dia de Natal, foi não só provocador, como também pedagogicamente oportuno, no sentido de alertar a consciência das pessoas e, nomeadamente dos cristãos, para o dever de se colocarem sempre ao lado da defesa da vida, contrariando assim uma crescente cultura da morte que vai surgindo na nossa sociedade, começando mesmo por certos meios de comunicação social, que deveriam ter a responsabilidade de defenderem a vida e não de promoverem a morte.
Por isso mesmo, não posso deixar de apoiar este gesto provocador, em dia do nascimento do Deus Menino, tendo, felizmente, a certeza de que muitos me acompanharão neste alerta em defesa da vida e o concretizarão também no próximo dia 11 de Fevereiro.