Terça, Março 16, 2010

Jovens cientistas abrem asas e brilham lá fora

Três jovens portugueses venceram o "The Climate prize" no Concurso Europeu de Jovens Cientistas, que teve lugar na Dinamarca. Cá, haviam ganho o Concurso Nacional, promovido pela Fundação da Juventude.
Sérgio Almeida, Beatriz Moreira e Vasco Sá Pinto
Sérgio Almeida, Beatriz Moreira e Vasco Sá Pinto

Não é que não acreditassem na relevância e no rigor científicos do projecto que tinham criado, mas foi com inegável surpresa que Beatriz Moreira e Vasco Sá Pinto, ambos de 18 anos, e Sérgio Almeida, de 19, receberam o "The Climate Prize", no Concurso Europeu de Jovens Cientistas que decorreu em Setembro último, em Copenhaga. Um prémio arrecadado numa final onde estiveram cerca de 200 jovens de cerca de 40 países, europeus e não só, e que lhes garantiu assento na Conferência das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas que irá ter lugar no próximo ano, naquela mesma cidade.

E pensar que tudo começou como um simples estudo para a Área de Projecto, no âmbito do plano curricular do 12.º ano. Feito em parceria pelos três estudantes, ela, da Escola Secundária de Arouca, já com tradição no estudo de metais pesados, e os dois rapazes da Escola Secundária Júlio Dinis, de Ovar, o projecto, denominado "A ameaça xenobiótica - Paracentrotus lividus e a barrinha de Esmoriz", contou ainda com a coordenação do professor Filipe Ressurreição e do Visionarium, de Santa Maria da Feira.

Resultado: foi criado um novo modelo de biomonitorização, uma forma de avaliar a qualidade da água com recurso a organismos vivos, capaz de identificar em ecossistemas lagunares e estuarinos três perigosos poluentes, nomeadamente PCBs (bifenis policlorados), de origem orgânica, e ainda arsénio e manganês, dois metais pesados. Para tal, os jovens utilizaram ouriços-do-mar da espécie Paracentrotus lividus e avaliaram o seu desenvolvimento na presença dos tais poluentes, chegando à conclusão que o modelo pode ser usado como alternativa às análises laboratoriais normais, já que seria mais rápido, mais económico e tão sensível como aquelas.

Antes, porém, de alcançar o palco internacional, o projecto já havia levado os três jovens a ganhar o primeiro prémio da edição deste ano do Concurso Nacional de Jovens Cientistas e Investigadores, promovido pela Fundação da Juventude e que serviu de passaporte para a final na Dinamarca. Para a sua história pessoal, dizem, ficou o prazer de terem criado algo novo, o conhecimento de metodologias científicas que lhes servirão para futuros projectos, mas sobretudo a experiência de estar num palco internacional, "num mundo à parte", e sair de lá vencedores. Em todos os aspectos, frisam.

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