De 21 a 24 de Setembro o município de Arouca recebe mais uma edição da Feira das Colheitas onde não faltarão as Tasquinhas e os Produtos Regionais, a Feirinha dos Produtos do Campo e uma Feira das Velharias e as exposições agrícola e pecuária, das actividades económicas e de artesanato.

Como festa da agricultura, na Feira das Colheitas não podiam faltar as máquinas e alfaias agrícolas. Nesta exposição, os agricultores podem encontrar desde pequenas alfaias e motocultivadoras até tractores de dimensões diversas. Há preços para todo tipo de bolsas e explorações.
O sector queixa-se de uma quebra nas vendas de material agrícola. Apesar disso, todos os anos são vários os empresários que optam por expor durante o certame.
José Santos, sócio da «Magrimal», afirma que «não dá para viver à custa daquilo que se vende na feira, mas sem expor na feira é que não se vende nada mesmo». Por isso, tem «todo o interesse em fazer a Feira das Colheitas».
Este ano a autarquia decidiu alterar o local habitual da exposição, transferindo-a para o espaço onde futuramente funcionará o parque de estacionamento municipal, junto ao ex-mercado municipal actualmente a ser remodelado para aí ser instalado o museu do agricultor.
O espaço é mais amplo e adequado, esperando a Câmara Municipal e os empresários que vão expor que seja mais cativante para o visitante.
Os doces conventuais produzidos por Manuel Bastos há muito que se habituaram à exposição na Feira das Colheitas. O empresário ocupa dois «stands» de exposição por achar que assim a exposição se torna menos «confusa» e lhe permite criar um ambiente envolvente ao doce, conferindo-lhe «dignidade».
Satisfeito com o volume de vendas durante a festa, Manuel Bastos afirma que «as Colheitas são um bom período de vendas concentradas naqueles dias, mas não sei se é compensatório relativamente ao trabalho que exige».
Com a impossibilidade de conservar os doces por muitos dias, durante a Feira das Colheitas a produção artesanal de doces é contínua. «Não se descansa, não se dorme, não se come em condições
», comenta.
Quem mais contribui para o sucesso nas vendas são sem dúvida os visitantes que «compram para eles, para os amigos e para os familiares».
«O doce ainda é autêntico e tentamos trabalhar com produtos o mais naturais possíveis», diz o empresário, alertando contudo para a mudança destas condições com a introdução dos produtos pasteurizados no mercado. «O sabor acabará por se alterar». Por enquanto, vai-se mantendo.
António Azevedo «trabalha» com abelhas desde os 14 anos. «É um vício», confessa. Quando começou tinha apenas dois cortiços, agora tem mais de 140 colmeias.
Nos quatro anos em que participou na Feira das Colheitas diz que não vende mais de 200 quilos de mel, pouco quando comparado com o total da sua produção. No entanto, o dinheiro que retira destas vendas dá para suportar as despesas anuais com as abelhas. O que vender para além disso é lucro.
Muito por culpa dos incêndios de 2005 e do Inverno prolongado que se seguiu, a produção de mel deste ano não ultrapassa os 300 quilos de mel. Um número muito diferente da média de duas toneladas a que a «Arouca Mel» estava habituada.
Mesmo assim, este apicultor não pondera deixar de fazer mel, apesar de todo o trabalho a que isso obriga.
Conhecedor dos perigos que as picadas das abelhas podem trazer ao ser-humano, e tendo consciência que pode tornar-se alérgico «de um momento para o outro», todos os anos, por volta do mês de Fevereiro antes dos meses de época alta da floração coloca-se no meio das abelhas para ser mordido. Se o corpo não tiver nenhuma reacção diferente, pelo menos durante mais esse ano, pode recolher mel.
Começou a trabalhar a pedra há cerca de seis anos, «como uma brincadeira». João Carlos achou que o preço que um amigo ia pagar por uma pia de pedra era elevado. Insinuou que a consegui fazer por um preço mais baixo; e fez.
A «moda das pias» surgiu um pouco como preservação da ruralidade local, uma vez que estas eram usadas como recipientes da alimentação do gado.
João Carlos começou com as pias, mas não ficou por aí. «Tudo que seja possível fazer em pedra, faço», afirma, dando com exemplo o dia em que se lembrou de fazer um lavatório: «Olhei para o lavatório da casa de banho e achei que consegui fazer aquilo em pedra». Agora a única louça de casa de banho que ainda não fez foi a sanita.
Para a Feira das Colheitas deste ano leva uma novidade: trabalhos em ardósia. Actualmente, João Carlos recebe inúmeros convites para participar em feiras de artesanato, embora não aceite todos os convites por considerar que nem todas as feiras são lucrativas. O mesmo não acontece com a Feira das Colheitas onde diz que vende mais para os visitantes do que para as pessoas de Arouca.
Este artista da pedra que começa agora a ver o seu talento ser reconhecido chegou mesmo a participar na festa de lançamento da cerveja «Super Bock Abadia», em Lisboa, a convite da marca.
Nota: Por motivos imprevistos, este programa poderá sofrer alterações.
Agrícola e Pecuária, do Artesanato, de Velharias e Ardósias
5ª das 16h às 24h
Sexta, Sábado e Domingo 10h às 24h
Tasquinhas
5ª Feira - das 16h às 02h
Sexta, Sábado e Domingo das 12h às 02h
Actividades Económicas
5ª Feira das 17h às 23h
6ª Feira das 15h às 23h
Sábado e Domingo das 10h às 23h