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Concelho vai ter um geoparque versão para impressão enviar por e-mail
Escrito por O Primeiro de Janeiro   
12-Dez-2005
As Jornadas da Terra decorreram este mês em Arouca, tendo sido revelado que vai ser criado um geoparque no concelho, assente na protecção, divulgação e rendibilização da diversidade geológica da região. O projecto, já fundamentado do ponto de vista científico, foi dado a conhecer ao público presente, nomeadamente ao presidente da Câmara e a alguns membros da sua equipa, entre individualidades de diferentes sectores da comunidade arouquense.
Artur Abreu Sá, do Departamento de Geologia da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), integra a equipa de investigadores nacionais e estrangeiros que está a trabalhar a componente científica do Geoparque Arouca, tendo em vista a preparação de uma candidatura para ser apresentada à European Geoparks Network.
“Do que depender da Câmara Municipal, este projecto será uma realidade”, afirmou o presidente da edilidade, José Artur Neves, posto perante o desafio lançado na comunicação do investigador da UTAD, de que, agora, nesta fase do processo em que já estão reunidas as “condições inequívocas para a constituição de uma equipa de trabalho, é vital a participação da autarquia no sentido de serem analisadas as necessidades de nível político-administrativo”.

Entusiasmo
Entusiasmado com a ideia, Artur Neves, num gesto de total abertura, prontificou-se a receber de braços abertos a proposta, disponibilizando-se de imediato para, em conjunto com os demais intervenientes e na fase de institucionalização do projecto a autarquia poder constituir-se como motor de arranque da candidatura que depois será entregue nas instâncias internacionais, no âmbito dos programas de apoio previstos para o desenvolvimento sustentável das regiões. A avançar, o «Geoparque Arouca» terá como âncora, ou pólo dinamizador de toda a temática, o Centro Interpretativo Geológico de Canelas, construído na exploração de ardósias Valério & Figueiredo, onde existe, à semelhança do carácter singular e espectacular das Pedras Parideiras, no lugar da Castanheira, na Serra da Freita, um dos mais imponentes «ex-libris» da História da Terra: as Trilobites (aliás, o ENTRE DOURO E VOUGA, na passada semana publicou um trabalho sobre as tribolites). Tratam-se de fósseis marinhos que nos contam como era a vida no planeta há 480 milhões de anos, no período Ordovícico, muito antes do aparecimento dos dinossauros. Então, o território onde assenta actualmente Arouca fazia parte do paleocontinente Gondwana, dominado por esses admiráveis «peixes» que se encontram fossilizados em bom estado de conservação nas ardósias que têm sido encontradas e identificadas por Manuel Valério, através de um trabalho exaustivo e com base científica, já reconhecido internacionalmente.

Promoção do turismo sustentável
O futuro «Geoparque Arouca» deverá, então, estender-se por todo o concelho, chamando a si não só o Património Geológico da região de Arouca, como os fenómenos das Pedras Parideiras, da Pedra da Boroa, as cristas quartzíticas, as pistas de Cruziana, a cascata da Mizarela - a maior queda de água em Portugal - entre outras «pérolas» geológicas e arqueológicas da Serra da Freita, mas englobar também todas as outras potencialidades turísticas da terra, resultantes da beleza paisagística, da rica gastronomia, da doçaria conventual, das águas cristalinas e dos rápidos do Rio Paiva, dos percursos pedestres, das minas de volfrâmio em Janarde e rio de Frades, do Convento, ou das aldeias tradicionais.

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