| Atropelado mortalmente casal descendente de Alvarenga |
|
|
| Escrito por Defesa de Arouca - JN - Correio da Manhã | |
| 24-Nov-2006 | |
|
A morte e de Carlos e Ângela, no sábado à tarde, nos Olivais, em Lisboa, esmagados contra a traseira do carro de onde estavam a tirar a bagagem, poderá ter tido lugar na sequência de uma corrida em que participaram dois funcionários da empresa de elevadores Shindler. Carlos Manuel Gregório Lourenço Correia, de 48 anos, foi o condutor que levou o Renault Clio a esmagar o casal, em frente das duas filhas: Ana e Susana, de dez e 13 anos, respectivamente. Momentos antes da morte de Carlos, de 39 anos, e de Ângela, de 38, os dois técnicos de manutenção de elevadores terão estado num café das redondezas “a beber e a comer castanhas”, contou ao CM Joaquim Fernandes, de 75 anos, reformado da TAP, que reside no nº. 11 da Avenida Cidade da Beira, “mesmo à frente” do local onde ocorreu o acidente. Segundo Joaquim Fernandes, os dois funcionários da Schindler estiveram a “comer castanhas e a beber cerveja e água-pé”, no Café Silva, localizado a pouco mais de mil metros do local onde morreram Carlos e Ângela: “O meu filho estava na mesa ao lado deles, a menos de um metro. Contou-me que os viu comer e beber e que os ouviu conversar sobre os carros que ambos conduziam. Se um andava mais ou menos do que o outro e coisas do género.” saíram ambos do café e começaram a acelerar por ali fora até que chegaram à minha porta e aconteceu aquilo que todos conhecem. Joaquim Fernandes relatou ainda ao CM que, de acordo com o que o filho lhe contou, a dada altura, um dos técnicos disse: “Isso são assuntos que só na estrada é que se resolvem. Depois saíram ambos do café e começaram a acelerar por ali fora até que chegaram à minha porta e aconteceu aquilo que todos conhecem.” O filho de Joaquim Fernandes não quis prestar declarações ao CM. “Ele não quer falar com jornalistas, mas eu não tenho medo de contar o que ele me disse”, afirmou Joaquim Fernandes. Caso as autoridades venham a confirmar que Carlos Manuel Gregório Lourenço conduzia sob o efeito do álcool e que a morte de Carlos e Ângela resultou de uma corrida que acabou mal, o funcionário da Schindler, de acordo com o penalista Rui Pereira, pode ser acusado de dois crimes de homicídio por negligência e um crime de condução perigosa. No crime de homicídio por negligência a pena vai até cinco anos de prisão e no crime de condução perigosa a pena pode chegar aos três anos de prisão. Carlos Lourenço trabalha na Schindler há 32 anos. Francico Duarte, director da empresa de manutenção de elevadores, disse ontem ao CM que o condutor já teve alguns acidentes, mas que nenhum foi tão grave como o que sucedeu, no sábado, nos Olivais, em Lisboa. Francisco Duarte adiantou, ainda, que Carlos Lourenço está “muito perturbado” com o que aconteceu e que ontem não foi trabalhar: “É uma pessoa que não se mete em grandes complicações. Está a ser apoiado do ponto de vista médico e só voltará a trabalhar quando se sentir em condições”. Caso “as autoridades provem” que cometeu algum “acto ilícito”, Francisco Duarte assegurou que Carlos Lourenço será alvo de um processo disciplinar na empresa. Irmãs que ficaram órfãs já estão juntasAna e Susana Soares, as duas irmãs de 10 e 13 anos que, há cerca de uma semana, viram os pais morrer esmagados por um carro, que seguia em alta velocidade, numa rua de um bairro residencial, dos Olivais, em Lisboa, já estão de novo juntas. Depois de uma semana em que estiveram a viver separadas - a mais velha com uma tia e com os avós maternos, no Pinhal Novo, e a mais nova com os avós paternos, em Chelas - as meninas juntaram-se este fim-de-semana e deverão ficar juntas, como é sua vontade e como recomendam os técnicos nestes casos trágicos."Elas agora estão as duas comigo". Teresa Sogalho Cruz, irmã da mãe das meninas, explicou ontem, ao JN, que "a mais pequenina" foi passar o fim-de-semana com a irmã, ao Pinhal Novo, e acabou por decidir que quer ficar em casa da tia, onde também vivem os avós e dois primos, uma rapariga de 18 e um rapaz de 14 anos. "Ficou combinado que as meninas é que decidiam", disse, pondo um ponto final nas notícias que davam conta de uma "desavença" entre as duas famílias relativamente ao futuro das crianças, cuja tutela caberá ao tribunal definir. "A nossa preocupação era que as meninas estivessem juntas e que, dentro do possível, pudessem recomeçar a sua vida". João Sogalho, o irmão mais velho de Ângela, a mãe das crianças, está agora mais descansado. A sobrinha mais velha, aluna do 9º ano, "já está integrada numa escola e a receber acompanhamento psicológico". A mais nova, a estudar no 5º ano, vai hoje apresentar-se na escola, onde também passará a ter apoio. "Já tratei disso tudo. Só estava à espera da decisão dela", garantiu Teresa Cruz, considerando que tem "mais condições" do que os avós paternos para acolher as meninas. Teresa é madrinha de baptismo de Susana e recorda-se de um dia a irmã, Ângela (também ela madrinha da sua filha), lhe ter dito que, se alguma coisa de mal lhes acontecesse, tomariam conta dos filhos uma da outra. E é isso que está a tentar fazer. Teresa já deu entrada com um processo de tutela no Tribunal de Menores de Setúbal. "Estou a trabalhar para ficar com elas", disse, garantindo que "não há quaisquer obstáculos" a que a família do pai esteja com elas. "Nós não queremos cortar ligações", garante o tio João Sogalho, explicando que a principal preocupação "é o bem-estar das meninas" e considere que a sua família tem mais condições para as criar. "Eu só peço que o tribunal, antes de decidir alguma coisa, vá ver as condições de uns e outros", disse. João lamenta ainda não ter sido contactado pela Segurança Social. "Não tivemos qualquer apoio", disse. Condutor ficou livreA tragédia aconteceu ao final do dia de sábado, 11 de Novembro. Ângela e Carlos, de 38 e 39 anos, estavam a tirar umas malas da traseira de uma carrinha, estacionada em frente ao prédio para onde a família ia morar, nos Olivais.As filhas brincavam no passeio. Subitamente, um carro que, segundo os vizinhos, seguia em grande velocidade, enfaixou-se contra o casal. Tiveram morte imediata. As crianças assistiram a tudo. O condutor, de 48 anos, que seguia num carro da empresa de elevadores Schindler, foi levado para o hospital onde foi sujeito a testes de despistagem de álcool e drogas, cujos resultados ainda não são conhecidos. Ficou sujeito a termo de identidade e residência. A empresa já anunciou a abertura de um inquérito para averiguar o sucedido e comprometeu-se a assumir todas as responsabilidades. Segundo o tio das meninas, João Bogalho, a seguradora foi a única entidade que até agora o contactou. O grupo Jerónimo Martins, para onde trabalha, bem como a falecida mãe das meninas, disponibilizou o gabinete jurídico para tratar deste caso. Relacionado:
Marcar como favorito
Bookmark
Enviar por email
Visualizações: 2488 Comentários (1)
![]() ![]() escrito por Andreia Teixeira, Dezembro 09, 2006
Ainda bem que as meninas ficaram juntas eu sou da antiga escola delas e poso afirmar que foi uma grande dor para todos os colegas. Eu tenho uma prima na sala da Ana, a mais nova que est cheia de saudades dela e de no ter podido estar com ela naquele momento to mau.
Escreva o seu Comentário
|
| < Artigo anterior | Artigo seguinte > |
|---|