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Artur Neves entrevistado pela Defesa versão para impressão enviar por e-mail
Escrito por Defesa de Arouca   
30-Jan-2007
Artur NevesAo liderar um executivo minoritário, pelo menos aparentemente a vida não se apresentava fácil para o novo presidente da Câmara. Mas, ao fim do primeiro ano de mandato, Artur Neves faz «um balanço muito positivo», mostra-se sobretudo preocupado com o projecto para concluir a Variante e receia que «a oposição enverede por uma política de terra queimada», impedindo obras essenciais para o Município.

O Projecto da Variante no centro de todas as preocupações


Artur Neves chegou ao fim do primeiro ano de mandato convicto que o balanço é muito positivo. Em entrevista à “Defesa”, o Presidente da Câmara fala-nos das principais realizações, do futuro, dos investimentos que considera essenciais para o Município. Confessa que o projecto da Variante é a sua grande preocupação, dá nota positiva à Lei das Finanças Locais e teme a hipótese de «política de terra queimada» da parte da oposição.
Extremamente oportunas, aqui ficam as declarações do Presidente da Câmara.

Artur Neves

Que balanço faz o senhor Presidente da Câmara do primeiro ano de mandato?

Faço um balanço muito positivo. Posso mesmo afirmar que, há um ano atrás, as minhas melhores expectativas para o primeiro ano de mandato não contemplavam vários investimentos já garantidos e, em alguns casos, já em execução, e que eu supunha só ser possível garantir numa fase mais adiantada do mandato.

Quais foram os grandes objectivos alcançados e os grandes obstáculos com que deparou a gestão municipal?

No que respeita à rede viária de ligações ao exterior, demos passos decisivos para convencer o governo a lançar o concurso para a execução do projecto da variante até à Feira. Projecto que, de acordo com o programa do concurso, levará quinze meses a executar. A adjudicação tem já algum atraso, facto que me preocupa, mas que, a concretizar-se a promessa recente do senhor Ministro das Obras Públicas, até Março próximo será concretizado esse passo fundamental e decisivo para que o arranque da obra seja possível em 2009/2010.
Demos também passos importantes na definição dos corredores preliminares do futuro IC 35 (Castelo de Paiva/Arouca/Vale de Cambra/Talhadas).
Concluímos, com êxito, juntamente com Vale de Cambra, o combate político e técnico travado com o governo no sentido deste aprovar o traçado da futura Auto-Estrada A32 (Oliveira de Azeméis/Carvalhos) próximo da zona ocidental do nosso concelho. Não obstante a posição conjunta dos Presidentes de Oliveira de Azeméis, S. João da Madeira, Santa Maria da Feira e de V. N. de Gaia, o governo foi sensível aos argumentos por nós apresentados, facto que, a curto prazo (tem previsão para arranque das obras em 2009), nos vai permitir aceder a uma Auto-Estrada nas deslocações para norte e para sul na zona de Carregosa e de Escariz (na ligação prevista com a nossa futura variante).
Conseguimos convencer as Estradas de Portugal a avançar com o projecto de requalificação da E.N. 224, entre Santo António e Vale de Cambra; conseguimos também que a Direcção de Estradas de Aveiro, no sentido de se melhorarem as condições de segurança do troço da variante já construído, avançasse com a aplicação de um micro-rugoso nas zonas de formação de gelo – obra que vai arrancar no próximo verão.
Sublinhamos, com inegável satisfação, o êxito alcançado com o protocolo de financiamento assinado com o Senhor Secretário de Estado das Obras Públicas para as obras de conclusão da circular ao centro urbano de Arouca e para a requalificação da E.N. 326 entre Santo António e Alhavaite, bem como entre a Câmara e S. Pedro, entre a Câmara e a Pernouzela (E.N.326-1) e entre o Zendo e o cruzamento de Rossas – obras a executar já em 2007.

No domínio do desenvolvimento industrial e económico, conseguimos o financiamento para as obras (em curso) de requalificação paisagística e de infra-estruturas da zona industrial da Mata – Arouca. O mesmo tipo de obra vai avançar ainda este ano na zona industrial da Farrapa.

No sector da educação, apostamos decisivamente no reordenamento da rede escolar e na garantia de funcionamento do conceito de escola a tempo inteiro. E assim foi possível, com a extraordinária colaboração das Associações de Pais, Agrupamentos Escolares e alguns professores, ter oferta de refeições em todos os jardins-de-infância e em todas as escolas do 1º ciclo, bem como garantir as actividades extracurriculares. Em paralelo, requalificamos transitoriamente – até que avancem os futuros pólos escolares – as escolas de acolhimento, equipando-as com aquecimento e outros equipamentos básicos necessários ao funcionamento de cada uma das escolas. E conseguimos, com muito trabalho e após incansáveis reuniões e permanente diálogo com os agentes do sector da educação, aprovar e homologar a Carta Educativa do Concelho, documento de planeamento estruturante e fundamental para garantir os investimentos previstos para este sector no próximo quadro de apoio comunitário.

Na área do ambiente e em particular no sector do saneamento básico, conseguimos, em pouco mais de um ano em funções, concluir o projecto do emissário a instalar ao longo de todo o Vale de Arouca (extensão próxima de 10 km) e lançar esta imensa obra a concurso, bem como o projecto da grande ETAR que vai servir as freguesias de Arouca, Burgo, Santa Eulália, Várzea, Urro, Rossas e Chave, sem deixar de referir as que estão em curso em Moldes, Canelas e muito em breve em Mansores e Tropeço.

no sector do Turismo, foi com satisfação e regozijo que recentemente recebemos a confirmação do financiamento comunitário para um importante investimento hoteleiro a promover em Arouca

No sector do Turismo, não podemos deixar de sublinhar a satisfação que sentimos quando, recentemente, na presença da Senhora Ministra da Cultura, assinamos com o IPPAR o protocolo que nos permite lançar o concurso internacional para a concessão do projecto e exploração de uma hospedaria a instalar na ala sul do Mosteiro. Protocolo esse que define outras responsabilidades no que toca à requalificação do Museu de Arte Sacra e à instalação e disponibilização ao público do riquíssimo espólio documental deixado à Real Irmandade por D. Domingos Pinho Brandão. Sublinhe-se também a adjudicação das obras de recuperação do órgão do Mosteiro, só possível depois da Câmara para ali disponibilizar verbas comunitárias que lhe estavam destinadas.
O Turismo cultural, científico e patrimonial, suportado nas riquezas naturais e edificadas de que dispomos, e associado à nossa tradicional gastronomia, constitui uma aposta clara deste executivo, de que é maior exemplo o projecto Geoparque Arouca. Também a valorização das praias fluviais, dos desportos radicais e da oferta cultural diversificada que temos vindo a oferecer a públicos novos e aos mais tradicionais.
Ainda no sector do Turismo, foi com satisfação e regozijo que recentemente recebemos a confirmação do financiamento comunitário para um importante investimento hoteleiro a promover em Arouca. Tal notícia significa, antes de mais, que a influência política e a diplomacia económica não é retórica de qualquer campanha, mas sim acção concreta e objectiva.

No que respeita à Rede Social do Concelho e ao programa de respostas sociais que prometi aos arouquenses, foi também com natural satisfação que vi aprovado o financiamento de projectos de âmbito social, nomeadamente para Creche, Centro de Dia e Apoio Domiciliário a promover pelo Centro Social e Paroquial de S. Salvador do Burgo, Lar Residencial a promover pela AICIA, e Centro de Dia/Lar a promover pelo Centro Social de Chave. Outros projectos estão em curso, e sobre eles estamos a trabalhar com as instituições, no sentido de vermos coroadas de êxito as candidaturas a apresentar ao próximo programa de financiamento.

As Grandes Opções do plano (GOP) foram alvo de muitas criticas da oposição. Parecem-lhe justas ou considera que as GOP se enquadram perfeitamente nas necessidades e politica de desenvolvimento do concelho?

As GOP que propusemos mostram a linha de rumo dos investimentos prioritários e essenciais para o nosso desenvolvimento. A maior dotação financeira nelas prevista vai para a área do saneamento básico, seguindo-se o sector dos transportes e comunicações, logo secundado pelo sector da Educação que, no presente ano, quase duplica o financiamento previsto em relação ao ano anterior. Mas este importante documento não esquece outros objectivos definidores do desenvolvimento do Município para os próximos quatro anos, nomeadamente no domínio da Acção Social, da Cultura, do Desporto e do Lazer, da Agricultura, do Turismo e da Industria.

O facto da Câmara ser minoritária tem prejudicado o seu trabalho?
Existem hipóteses deste problema ser ultrapassado?  
  

Até agora, ultrapassadas algumas contrariedades pontuais, provocadas pela oposição, que me obrigaram a uma perda de tempo desnecessária, no essencial tudo está a correr muito bem, aliás, bem acima das minhas expectativas iniciais. Eu espero que assim continue. Tenho uma equipa coesa, trabalhadora, solidária e competente, não havendo razões, nesta altura, para qualquer alteração.

Quais são as grandes obras de que Arouca mais necessita e gostava de ver realizadas?


Muitas das grandes obras que precisamos foram já mencionadas, estando uma boa parte delas em execução ou em vias de execução. Outras ainda não referidas e que são essenciais para o nosso desenvolvimento integrado têm a ver com a construção de um Auditório de qualidade que permita uma oferta cultural qualificada e possibilite a realização de congressos e outras acções potenciadoras do que chamamos turismo de negócio e turismo cultural. Temos já estudo prévio para esta obra. Esperamos a aprovação deste projecto a curto prazo de modo a permitir uma candidatura aos próximos fundos comunitários; consideramos também essencial o avanço da requalificação de alguns jardins públicos, nomeadamente o jardim central e outro que vamos projectar e designar de Parque do Gondim, bem como a requalificação do espaço florestal localizado na zona de Santa Luzia, a que iremos chamar Parque Florestal de Uso Múltiplo de Arouca; os Pólos Escolares e todos os projectos associados ao Geoparque Arouca, os projectos de reocupação dos espaços rurais e de desenvolvimento da agricultura biológica assumem também, entre muitos outros – que sabemos dificilmente realizáveis num só mandato –, capital importância para o modelo de desenvolvimento que pretendemos para Arouca.

Como tem sido a postura do Poder Central em relação às reivindicações da Câmara de Arouca?

Sabemos das dificuldades orçamentais da generalidade dos Ministérios, que é fruto do estrangulamento financeiro do País e decorrente dos compromissos de redução do défice assumidos com Bruxelas. Este facto – que é incontornável e com o qual todos os gestores públicos devem conviver de modo responsável – pode atrasar, por algum tempo, obras importantes para o Município, em particular a continuidade da nossa Via Estruturante. Tudo estou a fazer para evitar esses atrasos. E sei que o governo também está empenhado em levar por diante esse e outros investimentos em Arouca, tal como o comprova o que alguns Ministros e Secretários de Estado – e muitos foram já os que passaram por Arouca neste ultimo ano – aqui assumiram publicamente. Mas outros que aqui não passaram e que representam sectores importantes para a qualidade de vida das populações, não deixaram de ser sensíveis aos argumentos por nós apresentados, de que é exemplo a Unidade Básica de Urgência, que Arouca ganhou na proposta de reforma que está em curso e que esperamos definitivamente decidida no fim do presente mês de Janeiro, e que contraria, para melhor, o receio que existia do fecho do actual SAP.

Que comentário lhe merece a nova Lei da Finanças Locais?

Merece-me um comentário positivo. Os Municípios cumpridores e com politicas realistas e ajustadas aos recursos disponíveis, nada têm que recear de leis justas e adequadas à real situação financeira do País. É o caso de Arouca, que tem um orçamento equilibrado, cujo “segredo” reside apenas em orçamentar despesas que sabe estarem cobertas por receita documentalmente definida.

Como vê os problemas dos jovens arouquenses, nomeadamente os licenciados, perante as poucas hipóteses que encontram no mercado de trabalho?

Vejo com muita preocupação, mas consciente que estamos em presença de um problema de âmbito nacional e mesmo europeu. Contudo, embora isso não me deixe sossegado – bastará um desempregado que seja para nos deixar sempre alguma preocupação –, Arouca tem uma taxa de desemprego bastante inferior à metade da taxa de desemprego nacional. Tenho esperança que, com novos investimentos potenciadores de desenvolvimento económico, seja possível melhorar ainda mais os indicadores actuais do nosso Concelho.

Finalmente, neste inicio do ano qual é para o Presidente da Câmara a maior de todas as preocupações?
“Receio que, pelo facto de não ter maioria na Câmara, a oposição enverede por uma politica de terra queimada...

O que verdadeiramente me preocupa neste momento é o facto do projecto de execução da Variante não ter sido ainda adjudicado, e muito mais preocupado ficarei se, no fim de Março próximo, não se confirmar a adjudicação. Receio também que, pelo facto de não ter maioria na Câmara, a oposição enverede por uma politica de terra queimada, impedindo deliberadamente o desenvolvimento de obras essenciais para o Concelho e as acções de boa gestão, que impeçam a adesão a fundos comunitários essenciais para a concretização de investimentos em obras estruturantes para o Município.
 
Quer deixar alguma mensagem?

A mensagem que quero transmitir é uma mensagem de confiança: estou imbuído de enorme determinação e de uma suprema satisfação pelo trabalho que desenvolvo ao serviço do Município.
Quero também sublinhar que continuo a esperar a colaboração de todas as forças politicas, dos movimentos associativos, dos empresários e da sociedade civil para me ajudarem a concretizar importantes investimentos para Arouca. Estou consciente de que só com o esforço de todos e só com o espírito aberto para aceitar que o único partido que interessa respeitar não tem outro nome senão Arouca, é que será possível desenvolver com êxito as politicas em curso e com as quais – sentimos isso, dia a dia, no contacto com os arouquenses – genericamente todos estão de acordo.


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