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Arouca quer usar quintas para atrair desempregados versão para impressão enviar por e-mail
Escrito por Jornal Público   
30-Jan-2006

AgricukturaCâmara quer recuperar quintas abandonadas para proporcionar a auto-sustentação a quem está sem trabalho.

A ideia existe e o projecto começa agora a gatinhar. A Câmara de Arouca pretende recuperar as casas das quintas abandonadas das aldeias tradicionais do município, para que sirvam de morada a desempregados que queiram dedicar-se à agricultura biológica, ao cultivo de produtos sem recurso a químicos. 
 “O objectivo é encontrar no espaço rural uma forma de criar a sua própria auto-sustentação”, explica o presidente da Câmara de Arouca, Artur Neves. Nesse sentido, acrescenta, “é cedido um espaço a quem está na cidade e não consegue arranjar ocupação, que não tenha formas de viver”. “Porque há-de estar o Estado a subsidiar esta gente?”, questiona.
Dentro de poucas semanas, estará constituída uma equipa, composta por técnicos da Universidade de Aveiro ligados à área do planeamento, que fará o levantamento dos recursos existentes em Arouca e delineará quais os projectos que podem ser desenvolvidos nas diversas áreas rurais. Um processo que deverá demorar cerca de sete meses. Será também esse grupo que definirá “as regras de produtividade”, ou seja, que produtos melhor se aplicam ao espaço rural em questão.
A autarquia arouquense tenciona, entretanto, contactar o Instituto Nacional da Habitação para saber se haverá possibilidade de obter financiamento para a recuperação das habitações antigas. Não em regime de habitação social, mas com o mesmo propósito social em pano de fundo. Antes disso, os proprietários das extensas áreas rurais, que actualmente estão “inactivas”, serão abordados de forma a apurar qual a disponibilidade de “cederem” a casa e o campo a gente da cidade. “Há centenas de espaços destes”, assegura o autarca. Caso haja interesse, essa vontade será devidamente protocolada com a autarquia arouquense.
Artur Neves explica que os novos inquilinos deverão pagar um aluguer aos proprietários, mediante um contrato que será estabelecido entre ambas as partes. No entanto, essa conta poderá ser liquidada com os géneros produzidos. Produtos biológicos que, sublinha, “cada vez mais terão procura nas cidades”. Os interessados terão um incentivo inicial para suportar as despesas na fase de arranque, em que ainda não há receitas à mão de semear. Esta é uma das questões que terão de ser analisadas, tal como outros pormenores deste processo que está ainda numa fase embrionária.
O autarca refere, por outro lado, que este projecto faz parte do plano estratégico de desenvolvimento sustentado do concelho, sendo que está a ser equacionada a possibilidade de se fazer um projecto-piloto numa das aldeias rurais para ver se a ideia resulta na prática.
 

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