Quarta, 27 Setembro 2006 05:55
Escrito por Bruno Ramalho - PJ

Os vereadores da oposição da câmara de Arouca querem que seja investigado o abate de árvores, que defendem, serem protegidas por lei. Para isso, enviaram uma série de documentos para o provedor de Justiça e para a Estradas de Portugal.
Quem passa na EN 326 encontra uma paisagem mais despida, o motivo é simples: abate de árvores. Na extensão total, que é de 17 quilómetros, entre Arouca e Alvarenga, o cenário está «pobre». Indignados com a situação estão alguns moradores, porque garantem que foram abatidas árvores protegidas por lei.
A este respeito, os vereadores da oposição da câmara da vila arouquense, apresentaram uma moção que visa a investigação do corte das árvores. Os autarcas propõem que sejam feitas diligências no sentido de ser efectuada uma investigação rigorosa e independente sobre o caso, porque o abate das árvores parece extrapolar a legalidade dos factos.
No documento apresentado pelo partido socialista, ao qual O PRIMEIRO DE JANEIRO teve acesso, os autarcas asseguram que foram abatidas espécies protegidas por lei (sobreiros e castanheiros), árvores de grande porte em zonas não ardidas e pinheiros saudáveis com mais de 40 anos. Quase todas as árvores derrubadas «ilegalmente» estavam em zonas não ardidas. Os representantes do PS denunciam, também, que foram abatidas espécies em número bastante superior ao previsto no concurso que se destinava ao abate e venda de árvores na EN326. A missiva dá conta, ainda, da «morte» de um castanheiro de grandes proporções e o corte de oito sobreiros. E para que haja a investigação, já foram reunidos documentos e fotografias, que serão enviados ao director da Estradas de Portugal (EP) e ao provedor de Justiça.
Recorde-se, que a EP garantiu que o abate foi feito de acordo com todos os procedimentos legais, defendendo, ainda, que as árvores a retirar tinham sido devidamente identificadas, que havia autorização da Direcção Regional de Agricultura de Entre Douro e Minho e que estava previsto o repovoamento da área em questão. A Estradas de Portugal alega ainda que consultou 22 empresas da especialidade antes de efectuar o corte das espécies protegidas, e que o abate aconteceu apenas a 268 árvores, e que estas, por seu turno, estavam afectadas pelos incêndios.