|
A degradação da escola primária de Cabreiros, uma aldeia na encosta da serra da Freita, já fazia antever, este Verão, que não voltaria a servir para ensinar. A falta de crianças para aprender as primeiras letras e números obrigou a encerrar as portas.
“Com apenas um aluno inscrito, a autarquia local não teve outra alternativa”, contou o veredor da Educação António Dias. Não é, de resto, o único caso em Arouca. Aconteceu o mesmo na EB1 de Noninha, freguesia de Alvarenga. Cabreiros, que na década de 50 do século passado chegou a ter quase mil habitantes, muito por força da actividade nas minas de volfrâmio, tem actualmente nos seus quatro lugares cerca de 250 almas que vivem, em grande parte, do cultivo da terra. Com o envelhecimento da população, as crianças em idade escolar também são cada vez menos, tornando inviável manter escolas com reduzido número de alunos. Nestes casos, a Câmara opta por deslocar as crianças para outras freguesias mais populosas. Durante o ano lectivo funcionam circuitos de transportes. “Nos últimos cinco ou seis anos foram várias as escolas primárias que fecharam por falta de alunos”, adiantou o vereador, ressalvado que são “encerramentos naturais”. Apesar disso, a Câmara “sempre se opôs” a tomar estas decisões “sem garantir as condições ideiais para instalar os alunos” com cantinas e bibliotecas, por exemplo, onde receber alunos de manhã à tarde. As dificuldades financeiras da autarquia não permitiram, ainda, avançar com o desejado centro escolar e as novas escolas previstas na carta educativa que está em elaboração também aguardam melhores dias. O problema maior, segundo António Dias, é que “muitas das aldeias já nem sequer têm alunos para formar uma única sala”. Quando isso acontece, são criados circuitos de transportes, normalmente através de serviços de taxis porque não existem carreiras públicas de autocarros para levar as crianças às escolas. “Isto implica um grande esforço financeiro, mas é a única forma”, referiu o vereador. Com a melhoria dos acessos, os percursos sinuosos demoram menos tempo do que há poucos anos. Mesmo assim, as crianças são obrigadas a sair muito cedo de casa. Curiosamente, a população escolar do concelho não tem diminuído acentuadamente nos anos mais recentes. O que quer dizer que as famílias jovens, de facto, deixam as aldeias remotas na serra mas procuram outras freguesias mais desenvolvidas do concelho.
|
Será que os serranos não têm vontade de regressar a sua terra Natal, à aldeia que os viu nascer e donde partiram a maior parte já com 20 anos para ir para a tropa ou mais cedo para fugir a ela?
Quantos ano demorou a que a energia eléctrica e as estradas chegassem finalmente à entrada das povoações
Só mais uma pergunta que vão fazer as câmaras a estas escolas Deixa-las apodrecer como com as instalações das antigas minas ou será que as vão por à venda? Para quando a tomada de decisões?
Porque não fazem loteamento de terrenos e os vendem em praça pública para que tantas pessoas que gostariam de nessas aldeias ter uma pequena casa a pudessem construir?... O pior trabalhar é o que não faz ou o que não deixa fazer?