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«A Avozinha» promove artesanato da região versão para impressão enviar por e-mail
Escrito por EDVI   
08-Nov-2007
Na Rua 1º de Maio, na mesma casa onde diferentes gerações da mesma família dedicaram parte do seu tempo aos bordados e ao trabalho do linho, a loja «A Avozinha» funciona agora como um dos últimos redutos do artesanato de Arouca.
EsmeraldinhaEsmeralda Valente, professora primária durante 41 anos e agora responsável pela loja, conta como tudo começou: «Os meus pais vieram para esta casa em 1919. Eram gente humilde e começaram aqui a sua vida de casados. Era aqui que a minha mãe passava o seu tempo, costurando, bordando, fazendo as peças de enxoval que enfeitava com rendas e bordados de sua autoria. Ao longo dos anos, foi transmitindo esse saber e arte às filhas, às netas e ainda a outras raparigas desta terra, e quando ela morreu, com a idade de 90 anos, decidimos abrir aqui uma loja com peças como as que elas fazia e outro artesanato aqui da região à volta».

A iniciativa comercial surgiu com o objectivo de ser «uma homenagem à avozinha» mas, se já houve «tempos melhores, em que as pessoas tinham mais poder de compra e ainda adquiriam umas peças», hoje a receita da loja «não dá para a subsistência, porque elas entram, até gostam do que vêem mas vão embora porque não podem comprar nada».

Linhos bordados feitos no tear, meias e luvas em lã de ovelha, chapéus e coletes em burel, sacos de retalhos, jarras e cinzeiros em lousa, tamancos e peneiras, cestaria e miniaturas de alfaias agrícolas são parte da oferta de «A Avozinha», cujos principais clientes são «pessoas mais abastadas que querem dar um presente especial a alguém» ou então entidades institucionais à procura de «peças típicas para oferecer a convidados».

Esmeralda Valente mostra-se conformada: «Nos dias que correm não é de admirar. Quando havia muito poder de compra, mesmo quem não tinha muito dinheiro comprava alguma coisa; mas agora é diferente e nós sabemos perfeitamente que as pessoas não têm dinheiro».

«A Avozinha» persiste porque não implica gastos com renda nem com pessoal: «A casa é da família e quem mantém a porta aberta sou eu e a minha irmã, que nos entretemos aqui a fazer umas peças, a conversar uma com a outra e a falar com quem passa na rua». Para o artesanato que a loja sempre teve como objectivo promover, o cenário é menos risonho e Esmeralda Valente diz não ter ilusões: «É verdade que há para aí gente nova a fazer umas coisas, mas isso não é artesanato; é trabalho manual. É pegar num pano qualquer e pôr-lhe uma renda de fábrica a toda a volta; é bordar umas coisas com lã que não é de ovelha e decorá-la com umas bolinhas de plástico ou coisa assim. Artesãos a sério já quase não há. Eu ainda sou do tempo em que quase todos os lavradores tinham um campo com linho e quase todas as casas de lavoura tinham um tear, mas agora já não se vê disso. Agora, a gente nova que não tem possibilidade de estudar quem ir para as fábricas, para ter o sábado e o domingo livres, e os velhos que ainda percebem disto estão a desaparecer. Acabando-se os velhos, não há artesãos; acabando-se os velhos, deixa de haver artesanato».

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Comentários (1)add comment

emilia vilar said:

0
bom de ver
Tá muito bonita na foto , parece uma jovem, quedê a maninha Mafaldinha ?
Uma beijufa para as duas e para toda a familia
gostei.
jocaaaasssss
Mila ( Este endereço de email está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email ) :-* :-*
 
Abril 29, 2008
Votos: +1

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