O acidente de rafting que sábado provocou a morte a um homem de 34 anos, no Rio Paiva, foi o primeiro nos sete anos do Clube do Paiva, e terá ficado a dever-se a uma distracção dos tripulantes quanto às ordens do monitor da actividade.
Quanto às razões para o acidente, Rafael Soares explica que esse se deu junto ao açude da Ponte da Bateira, onde “a extracção de água provoca um fenómeno artificial extremamente perigoso” e o controlo do barco foi dificultado por uma distracção da tripulação, que “não ouviu bem as instruções do monitor e remou para a frente em vez de remar para trás”.
“Foi mesmo no fim da actividade”, adianta o responsável da empresa de Castelo de Paiva. “Não conseguimos fazer a acostagem e a tripulação não colaborou com o monitor conforme era esperado, quando ele disse que era preciso remarem todos com força para trás”.
Para Rafael Soares, tratou-se de “uma distracção” decisiva, porque, “numa situação destas, é tudo uma questão de 30 segundos e, como as pessoas compreenderam mal a ordem do monitor, não se conseguiu segurar o barco”.
Um monitor “com experiência de 14 anos” ajudou os tripulantes a chegar a terra, tendo inclusivamente resgatado das águas uma pessoa que já estaria inconsciente, mas que conseguiu reanimar. Nas mesmas operações interveio ainda um outro monitor, com prática de sete anos, enquanto um terceiro ficou com os tripulantes já acostados, “para evitar o pânico”, como Rafael Soares diz que “é procedimento nestas situações”.
O homem que viria a falecer deixou, a certa altura, de ser visto. “Os amigos disseram que ele se safava porque era bom nadador”, conta Rafael Sousa, “mas a partir daí nunca mais o conseguimos encontrar”.
“As pessoas que participaram na actividade estiveram hoje connosco a auxiliar-nos no resgate e são unânimes em reconhecer que foi mesmo um acidente”, garante. “Percebem que não foi por falta de qualquer procedimento de segurança”.
O sócio do Clube do Paiva acrescenta que, antes do início de qualquer actividade de rafting, “há sempre um briefing de 20 minutos em que se explica aos participantes todo o procedimento que têm que ter no rio e as ordens a que têm que obedecer”.
“Depois disso”, continua o mesmo responsável, “verifica-se todo o equipamento - fatos, capacetes, barcos, cordas. Mesmo que o grupo seja pequeno, a actividade nunca é feita só com um barco, para que, em caso de um virar, haja outro que possa prestar apoio”.
O corpo do homem que desapareceu nos rápidos do Rio Paiva foi resgatado, pelos bombeiros de Castelo de Paiva, no âmbito de uma operação que envolveu 43 operacionais, oito viaturas, um barco, um helicóptero e ainda duas embarcações das corporações de Entre-os-Rios e Melros.
O corpo foi encontrado a flutuar na água junto à Quinta de Varziela, na freguesia de Fornos, cerca de um quilómetro abaixo do local onde se deu o acidente.

Foto de Arquivo: Local onde ocorreu o acidente, na altura a acostagem seria feita do lado oposto do rio (esquerda) e não na estação da Águas de Douro e Paiva.
No mesmo dia do acidente fatal, um grupo diferente teve também alguns problemas, a empresa responsável por esse grupo esclarece em nota enviada à comunicação social:
Após as várias notícias que têm vindo a surgir nos vários meios de comunicação acerca de acidentes ocorridos na prática de Rafting no Rio Paiva, consideramos importante esclarecer:
A Fuga&Evasão realizou hoje uma actividade de Rafting no rio Paivô, afluente do rio Paiva, tendo ocorrido um incidente, normal na prática do Rafting, que é a viragem das embarcações. Por segurança, o monitor que fazia o acompanhamento da actividade por terra, sempre com visão para os barcos, optou por chamar, e bem, os Bombeiros, para se poder dar resposta a eventuais ferimentos, fazendo parte dos nossos procedimentos de segurança. Todas as pessoas que participaram na actividade saíram do rio pelos seus próprios pés (tendo sido apenas prestada assistência a uma pessoa que se sentiu indisposta por ter comido demasiado antes da actividade) e terminaram o dia a almoçar o Bife de Alvarenga, de acordo com o programa previsto.
Importa ainda esclarecer que dos 24 tripulantes, sete eram monitores. Nenhum dos nossos clientes ficou ferido nem com hipotermia. Os participantes foram todos auxiliados pelos monitores da Fuga&Evasão.
No que diz respeito à segurança, as empresas têm feito um grande esforço, muitas vezes inglório, no sentido de se criarem infra-estruturas ao longo do rio que permitam o apoio em terra por parte das empresas, e que facilitem o resgate.
Consideramos ainda pertinente alertar para a crescente prática do rafting em Arouca e consequente necessidade de preparação e formação adequadas às entidades que auxiliam no socorro, nomeadamente na área do resgate, ficando estes mais aptos.
A Fuga&Evasão manifesta desde já a sua solidariedade para com as pessoas envolvidas no acidente ocorrido à mesma hora no rio Paiva e agradecemos a pronta colaboração dos Bombeiros Voluntários de Arouca e Guarda Nacional Republicana que felizmente, não foi necessária.