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Visite o Museu de Arte Sacra de Arouca versão para impressão enviar por e-mail
Escrito por Valter Santos in Caima Jornal   
30-Jan-2006
Entrámos no edifício do antigo mosteiro de Arouca, onde segundo a obra ‘Epigrafia Medieval Portuguesa’, de Mário Jorge Barroca, pág. 862 e 1422, existe uma lápide com uma inscrição gravada em granito, com o comprimento de 52 cm, por 26 cm e com uma espessura de 22 cm, que diz : ERO + e segundo o autor da obra datará do séc. X mais propriamente do ano 925.
Não encontrámos a inscrição referida, mas tivemos a oportunidade de ouvir Carlos Matos, responsável pelo espaço que visitávamos, que nos afirmou que aí se encontrava o Museu de Arte Sacra de Arouca, um património do Estado Português e cuja administração está entregue à Real Irmandade da Rainha Santa Mafalda, uma instituição que fora criada em 1886. O Museu de Arte Sacra de Arouca é visitado, anualmente, por cerca de 15000 pessoas, tendo a oportunidade de admirar uma das melhores colecções de arte sacra do país, já que aí existem esculturas, pintura, ourivesaria, paramentaria, mobiliário, enfim, um sem número de peças que são de inegável valor patrimonial. Segundo nos afirmou o nosso interlocutor Carlos Matos, a peça mais antiga em exposição é uma imagem de S. Pedro, obra do Mestre Afonso, feita no decorrer do séc. XV. Trata-se de uma escultura em pedra calcária em excelente estado de conservação, considerada pelos entendidos uma das melhores esculturas da época.
O antigo mosteiro de Arouca foi habitado por freiras, até ao mês de Junho de 1886, altura em que faleceu a sua última habitante, a freira Maria José Gouveia Tovar.
Uma criada de nome Maria Rosa do Sacramento, que exercia a actividade de vigilante do mosteiro, faleceu aí ao que consta com 120 anos.
Neste histórico edifício muitas freiras nobres viveram seus dias




Um manancial de actividades culturais
Carlos Matos: O gosto pelo saber
Na altura da nossa visita estava patente uma exposição da pintora autodidacta Maria Glória, natural de Cepelos, Vale de Cambra. Na sede do Movimento Juvenil Salesiano de Arouca, decorria uma outra exposição do pintor arouquense Afonso Costa, outra de fotografia do já consagrado Pereira de Sousa e, na Biblioteca Municipal, uma dupla exposição de pintura do pintor Carlos Veleiro e de um jovem de nome Jesus. Perante tanta mostra de arte, perguntamos a Carlos Matos se os arouquenses se interessavam por questões de cultura e história e a resposta que dos deu foi: “… quase a 100%, os arouquenses são um povo que tem muito orgulho na sua história, porque sabem que habitam uma terra que é, no seu espaço geográfico, muito anterior à nacionalidade. Na generalidade, sabem os pormenores mais importantes da sua terra, a nível histórico e não só!...”




Vidas centenárias no mosteiro
Que Arouca tem uns ares saudáveis é de todos perceptível. Talvez por isso, no Séc. XII, a Rainha Santa Mafalda aí quis viver e morrer, com mais de 90 anos.
Quando, em conversa com o coordenador do Museu de Arte Sacra de Arouca, Carlos Matos, questionámos sobre a idade de uma das suas antigas habitantes, não o fizemos inocentemente, já que tínhamos conhecimento de que, no ano de 1720, falecera uma freira de nome Toda Maria Coutinho,que nascera no ano de 1597, vivendo portanto 123 anos!... E foi assim que 21-12-2005 tornou-se um dia importante para Arouca, dado poder começar a usufruir das vantagens da Internet sem fios, que trará muitas vantagens para aqueles que, de outra maneira, não podem deslocar-se a locais para colherem as informações que precisam e que estão sempre disponíveis na Net.



Pesquisas arqueológicas dão a conhecer o passado

O IPPAR financiou trabalhos em Arouca
Na visita que fizemos ao Museu, deparámos com a arqueóloga Helena Marçal, responsável por uma equipa que aí pesquisa. Esta afirmou-nos que os trabalhos decorrem há três anos, num projecto financiado pelo IPPAR, e que, no momento, estavam a poucos dias de o completar, o que iria acontecer nas primeiras semanas de Janeiro de 2006. Estes responsáveis estavam à procura da zona mais antiga do mosteiro, procurando a primitiva igreja medieval, tendo-se deparado com sepulturas, vários muros e outras estruturas feitas por volta de 1400–1500, provavelmente o que resta dessa igreja. Segundo a arqueóloga, “…o mosteiro era riquíssimo, um dos mais ricos do país, em termos de propriedades e mesmo de património, e para ele vinham as filhas da alta nobreza, seguindo o exemplo da Infanta, a Rainha Santa Mafalda, filha do Rei D. Sancho I, o que levou este mosteiro a ser um dos mais importantes do país, grande e movimentado…”.

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