| Quando o bichinho da sétima arte entra pela escola adentro |
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| Escrito por Sara Dias Oliveira | |
| 19-Nov-2006 | |
Construíram a história, idealizaram personagens, seleccionaram roupas, planos e estrutura
de uma curta-metragem que estreia no Festival de Cinema de Arouca, em Dezembro. Dezanove alunos de Arouca corresponderam ao desafio de serem actores e realizadores por um mês.
Ana Helena, de 13 anos, não larga o guião. Não há diálogos a seguir, mas é preciso estar atenta aos passos da jovem que atravessa o bar, ao olhar do actor principal, à postura dos figurantes que conversam à mesa, à disposição dos objectos, aos planos a utilizar. O seu papel é fundamental. A responsabilidade total. Ana viu o aviso afixado na associação de estudantes e decidiu inscrever-se no workshop para a realização de uma curta-metragem. Para experimentar. "Já participei numa ópera, gosto muito de teatro e achei que era uma boa oportunidade para ver como era", explica. Mariana Santos, de 12 anos, segura a claquete. É preciso visão periférica para acompanhar os movimentos do coordenador da oficina cinematográfica. Para seguir as indicações. "Achei interessante a iniciativa, vi como era e acabei por ficar", revela. Há pormenores que estão sob a sua alçada, como a iluminação. "Apesar de gostar muito, não está nos meus horizontes seguir cinema", confessa. Temos sobrevivido da caridade de comerciantes e do carinho de algumas pessoas Filmar a "líndissima" luz de AroucaVerónica Fraga, de 14 anos, foi escolhida para actriz principal. "Uma miúda convencida", diz a propósito da personagem. É a primeira experiência de encarar uma câmara de filmar e sente-se sempre "aquela coisa". Um friozinho na barriga que nem mesmo uma participação numa peça de teatro consegue dissipar. Alexandre Tavares, de 15 anos, está do outro lado da câmara. Antes de poder carregar no botão play, ensaia-se várias vezes a cena. Tem as noções básicas de como operar com o equipamento, mas nunca à frente de um produto cinematográfico. "Não sei as coisas todas, mas observo e faço o que me disseram", adianta.Três sessões teóricas depois, é tempo de dizer "acção!". João Rita está satisfeito com o trabalho. Faltam poucas filmagens para terminar. "São eles que tratam de tudo para que nada falhe e as coisas estão a correr muito bem", garante. A ideia do workshop já andava na cabeça há algum tempo. "O objectivo é dar-lhes a responsabilidade e, ao mesmo tempo, oportunidade de entrar em contacto com o cinema", esclarece. Por outras palavras: "Deixar o bichinho". A intenção, admite, era filmar ao ar livre, mas os horários não foram compatíveis com essa vontade. "Toda a gente diz que Arouca tem uma luz lindíssima para filmar, mas o certo é que não vem assim tanta gente filmar a Arouca", adianta. Por isso, a sua ambição, intimamente ligada ao festival: "Fazer de Arouca a região mais filmada de Portugal". A estreia da curta-metragem ainda não tem dia definido. Poderá abrir ou fechar o festival, mas sempre fora de competição. O júri do festival arouquense está já constituído. Sete elementos, entre os quais Luís Ismael, realizador de Balas & Bolinhos; e Costa Valente, um dos realizadores da primeira longa-metragem de animação portuguesa João Sete Sete, do Cineclube de Avanca. Projector estará à frente da plateiaDe 1 a 3 de Dezembro, a quarta edição do Festival de Cinema de Arouca regressa ao cinestúdio dos bombeiros da vila. Com uma particularidade que se repete. "A determinado momento, a máquina de projecção de 8 mm, que está sempre nos bastidores, é colocada no palco, à frente do público", avança João Rita. Com um orçamento que não deverá chegar aos cinco mil euros, a iniciativa consolida a sua vertente internacional, com obras vindas da Espanha, Japão, Estados Unidos, França, Rússia, Bélgica e Eslováquia. "Temos sobrevivido da caridade de comerciantes e do carinho de algumas pessoas", assume João Rita.Programa do 4º Arouca Film FestivalSexta-feira, 01
Sábado, 02COMPETIÇÃO I21h30
Domingo, 03COMPETIÇÃO II14h00
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