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Doces e aromas atraíram 20 mil pessoas ao mosteiro versão para impressão enviar por e-mail
Escrito por Manuel Vitorino   
02-Mai-2006
Cerca de 20 mil pessoas visitaram, por estes dias, o mosteiro de Santa Maria de Arouca. Houve quem lá fosse movido pela gula e tivesse provado as doçarias conventuais. Outros pela curiosidade e outros para saciar o espírito com histórias da vida monástica da antiga Ordem de Cister. Hoje, esperam-se milhares de pessoas para presenciar a procissão em honra de Santa Mafalda.
Uma viagem no tempo. Será, talvez, a síntese da iniciativa Cister, Sabores e Saberes, levada a efeito pela Associação Anima Património, em parceria com outras instituições públicas e particulares, com um objectivo comum animar um edifício carregado de história e levar a população local a conhecer melhor o espírito empreendedor dos antigos monges e freiras, suas práticas conventuais e modo de encarar a vida.

O fabrico da doçaria atraiu olhares. A crise, porém, causou amargos de boca à maioria dos expositores vindos de todo o país. "As pessoas estão sem dinheiro. Entram nas provas, saboreiam, acham deliciosos os bolinhos, mas depois não compram", lamentou Dália Rosa, doceira de Alcácer do Sal. "Os doces fazem parte na nossa vida. Em Alcobaça, vende-se tudo. Por aqui, não. Talvez seja a falta de dinheiro", referiu José Cambetas, de Évora. "O negócio foi fraquinho. O dinheiro não é tudo. Também fiz várias amizades", lembrou José Manuel Vintém, de Portalegre.

E foi a pensar na partilha do lugar que Célia Santos Lima, doceira de Nelas, Viseu, escolheu este "lugar mágico" para divulgar a sua arte, as especialidades feitas de receitas tradicionais "Foi a primeira vez que vim ao certame. As vendas não foram famosas, mas consegui divulgar a minha arte, uma boa equipa de amizades e cumplicidades. A doçaria é também uma opção cultural", traduz Célia Lima.

Doçuras à parte, os diferentes espaços do mosteiro, como a cozinha (onde se recriou uma abastada mesa com diversos doces), a sala do Capítulo (cenário escolhido para o lançamento de livros e conferências em torno de Cister), o antigo boticário e o museu de arte sacra foram alguns dos locais de visita. Por isso, um mosteiro para manter aberto à fruição pública dos olhares.

"O mosteiro é o espaço de referência. Pelo simbolismo do lugar deverá acolher iniciativas culturais potencializadoras do desenvolvimento da região", diz Margarida Belém, técnica da Região de Turismo Rota da Luz.

Para o ano, outras doçuras e iniciativas vão, por certo, reavivar memórias e prazeres.

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