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Sou contra o encerramento do SAP | Sou contra o encerramento do SAP |
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| Escrito por O Primeiro de Janeiro | |
| 27-Jun-2006 | |
Comandante dos Bombeiros considera que a corporação pode não dar uma resposta eficaz ao transporte de doentes
Fundada em 1978, a Associação Humanitária dos Bombeiros de Arouca tem à sua frente, no comando operacional, Carlos Esteves. Aliás, este responsável, entrevistado pelo ENTRE DOURO E VOUGA, fala de algumas dificuldades vividas pela corporação, nomeadamente no transporte de doentes.
Como e quando foi nomeado comandante? Foi em Abril de 1981. Não tinha experiência anterior de bombeiro, convidaram-me para o cargo e aceitei depois de ter ponderado muito e implicar a família nesta decisão. Assim, entreguei-me de corpo e alma a esta causa do voluntariado. Como está neste momento o dispositivo que comanda? Como sabemos, Arouca está implantada numa zona geográfica densamente florestada. Infelizmente, no ano anterior, um terço dessa área foi devastada pelo grande incêndio no princípio do mês de Agosto. O dispositivo que este ano está no terreno prevê uma Fase Bravo, que se estende desde 15 de Maio até ao próximo dia 30, seguindo-se a Fase Charlie, que se estende desde um de Julho até 30 de Setembro, e, ainda, uma outra fase, dependendo das condições atmosféricas, que se estenderá até 15 de Outubro. Mas referindo-nos à fase em que estamos agora, temos em cada corporação um grupo de cinco homens, denominado ESIN, ou GPIS, prontos ao minuto, 24 horas por dia e que são accionados via telefone. Na fase Charlie passará a haver dois grupos GPIS, assim como nas outras corporações haverá reforço de pessoal em prontidão. Quais os efectivos totais da corporação? Os efectivos totais são 104 elementos e, destes, 35 são do sexo feminino, estendendo-se pelas várias graduações. Existe uma consciência civíca na população de Arouca? Sim, sobretudo nos jovens. Nota-se um sentido de doação à causa do voluntariado e, portanto, às pessoas, quer na área do pronto socorro - saúde, quer nos sinistros florestais, que são os incêndios. Os bombeiros têm meios suficientes em material e viaturas? Olhe, na minha prespectiva estão. A mim não me interessa ter muitos meios. Interessa-me é que eles sejam eficazes e que tenha homens e mulheres para trabalhar com eles. Portanto, neste momento, considero-os suficientes. Dava muito jeito termos mais uma viatura de combate a incêndios florestais. Uma viatura média, já não falo numa outras de rande capacidade, na medida em por vezes os meios se esgotam, quando as ocorrências são muitas. Aproveito para aqui destacar que recentemente fomos reforçados com duas viaturas, uma na área de saúde e outra na dos fogos florestais. Esta última é um tanque de grande capacidade que foi custeado na sua totalidade pela cooperativa aurouquense Lacticoope, por intervenção do seu presidente. Portanto, estão mais bem apetrechados? Ficámos agora muito melhor preparados, já que possuíamos uma dessas viaturas de grande capacidade no combate a incêndios, que era insuficiente em certas alturas e tínhamos de requisitar a presença das corporações vizinhas, nomeadamente Vale de Cambra, Fajões. S. João da Madeira e outras. Foi notícia nos órgãos de Comunicação Social, uma contestação popular devido ao projectado fecho do Serviço de Atendimento Permanente de Arouca (SAP). Qual a posição dos bombeiros? Têm meios para responderem ao possível afluxo de solicitações para levarem os doentes a outros hospitais? Nesta matéria, a minha posição mantêm-se desde há uns tempos. Não temos meios humanos para darmos uma resposta eficaz. Pode parecer uma aberração esta afirmação, quando há pouco lhe disse que temos 104 elementos. Mas, note que são voluntários e a área da saúde não escolhe horas. É quando são precisos e nem sempre temos no quartel estes homens. Temos sempre um piquete de segurança de noite e de dia. Mas, posso assegurar que não temos meios físicos e humanos para garantir sempre uma assistência, ou transferência ou condução das pessoas, numa condição de doença súbita ou outra, para Santa Maria da Feira... Portanto, uma situação complicada... Se nos lembramos que daqui do quartel, do centro da vila, demoramos 40 a 45 minutos, para fazermos uma viagem com segurança até ao Hospital de S. Sebastião, na Feira, temos que acrescentar a isto a viagem de ida e regresso ao quartel para depois ir até à Feira. Recorde-se que Arouca é uma concelho muito disperso, onde existem lugares e freguesias a mais de 20 quilómetros de distância, e até mais do que isso. Dou como exemplo viagens a Nuninho, Bostelo, Regoufe ou Covêlo. Refiro-me as estas localidades devido à dificuldade dos caminhos muito sinuosos, que exigem uma condução muito cuidadosa. Sim, porque, em vez de socorrermos, podemos ser vítimas de acidentes. É então contra o encerramento do SAP! Sou totalmente contrário ao fecho dos Serviços de Atendimento Permanente, pelas razões que acabo de referir. Não existem meios para acorrer em simultâneo às 20 freguesias de Arouca pela dispersão que o concelho tem. O SAP é de muita utilidade, pela triagem que faz dos doentes evitando muitas viagens talvez desnecessárias. Relacionado:
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