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Novas Superfícies Comerciais em Arouca | Novas Superfícies Comerciais em Arouca |
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| Escrito por AECA | |
| 28-Abr-2006 | |
![]() Tomando conhecimento da pretensão de algumas empresas em instalar médias ou grandes superfícies comerciais em Arouca, e sentindo as preocupações dos nossos associados, cabe-nos em representação dos comerciantes apresentar algumas considerações.
Em defesa do interesse dos comerciantes do concelho de Arouca, a direcção da AECA tem acompanhado no terreno as evoluções destas pretensões, tendo mesmo reunido com o Eng. Artur Neves, presidente da Câmara Municipal, especificamente para abordar este assunto.
Refere-se antes de mais que à data, e ao contrário do que muitos afirmam, não há qualquer projecto aprovado para este fim, situação que esperamos se mantenha, pois a abertura de mais superfícies comerciais de dimensão relevante em Arouca, contribuirá para o agravamento da crise que vem afectando o comércio tradicional. Temos assistido nos últimos tempos a uma grande alteração na estrutura da rede comercial de Portugal, com predomínio crescente das médias e grandes superfícies, em detrimento dos pequenos e médios comerciantes. No panorama nacional verificamos que as médias e grandes superfícies comerciais, aumentaram a prazo, a oferta e variedade de produtos, mas assistimos à destruição de uma classe média formada pelos pequenos comerciantes, e a concentrar o comércio num grupo restrito de grandes empresas que a seu tempo limitará os benefícios da concorrência. Importa analisar algumas consequências da evolução desta tendência:1. Emprego Os pequenos e médios comerciantes são na sua maioria, empresas familiares, com emprego gerado autonomamente e independente, com condições de trabalho mais exigentes, mas também muitas vezes melhor remunerados directa ou indirectamente. São uma base importante da classe média que sustenta e garante um desenvolvimento equilibrado da sociedade. Ao contrário, as médias e grandes superfícies, criam essencialmente uma estrutura de trabalho/emprego dependente e subordinado., em que a maioria das remunerações ronda valores relativamente baixos ou mesmo idênticos ao salário mínimo nacional, bem como forçando inevitavelmente os pequenos e médios comerciantes, a despedir funcionários.
2. Economia local Uma estrutura comercial de pequenos e médios comerciantes, tem grande parte da sua actividade económica integrada na região. A grande percentagem das compras e da aquisição de serviços são efectuadas nas empresas da região produzindo um efeito multiplicador na economia local. As médias e grandes superfícies concentra as aquisições em centrais de compras localizadas nos grandes centros urbanos, promovendo a acumulação de riqueza nestes centros em detrimento das pequenas regiões locais. Financeiramente, a atitude beneficia as grandes cidades, em relação às outras localidades. Os pequenos comerciantes movimentam as suas contas bancárias nos balcões locais. As grandes superfícies concentram o seu movimento financeiro nas sedes dos bancos em Lisboa e Porto.
3. Impostos e contribuições Os pequenos comerciantes têm as suas sedes sociais nas localidades onde estão instalados e os impostos, nomeadamente os locais, são integralmente pagos como receita directa para as autarquias. As grandes superfícies têm em regra as sedes sociais em Lisboa e Porto, procedendo-se ao desvio de verbas para os grandes centros em detrimento das pequenas regiões.
4. Apoio à sociedade civil Nos pequenos centros urbanos existe uma grande cumplicidade positiva entre pequenos e médios comerciantes e as actividades desenvolvidas pela comunidade. São estes que constituem os órgãos sociais e apoiam financeiramente com donativos as associações culturais, recreativas, bombeiros, desportivas, festivas religiosas, entre outras. Isto é possível porque existe proximidade e relacionamento directo entre estes pequenos comerciantes e a população. Numa média ou grande superfície, este apoio é impossível ou diminuto, em virtude da distância entre as populações e os centros de decisão centralizados. Esta inter-ajuda baseada muitas vezes na solidariedade, na co-responsabilidade, na afectividade, no conhecimento e na vizinhança contrasta com a frieza dos objectivos de vendas e lucros das grandes superfícies, que resumem o seu sucesso a números.
5. A Função social O apoio que os pequenos comerciantes dão a alguns grupos da população. É o crédito a clientes em dificuldades; é o atendimento personalizado; é o acompanhamento das mercadorias aos veículos e ao domicílio, o melhor serviço pós venda, etc. Esta atitude que assiste nos problemas sociais de pobreza, de saúde pública, principalmente nos grupos mais fragilizados (idosos, desempregados, deficientes, reformados), contrasta com a frieza e formalidade da relação comercial de compra e venda numa média ou grande superfície.
6. A Concentração e a diminuição da concorrência A abertura generalizada das grandes superfícies fez-se sob o lema de fomentar a concorrência. No entanto, assistimos ao encerramento de milhares de pequenas superfícies e a uma concentração do comércio num grupo restrito de grupos de grande dimensão. Passamos duma estrutura dispersa para uma estrutura concentrada, que a seu tempo ditará as regras de venda unilateralmente.
Consideramos que a rede de pequenos e médios comerciantes espalhada pelo concelho e pelo país é o suporte da economia e da sociedade. Esta estrutura está a ser desmoronada, o que se reflecte negativamente nos números da economia nacional.
Está provado que estas pequenas estruturas são fundamentais para o crescimento económico, e mais do que isso, para que esse crescimento se faça de forma equilibrada na sociedade e não de forma concentrada.
Em suma é imperativo manter a dinâmica e a actividade destes pequenos empresários!
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