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Ivo Brandão preside aos destinos da Filarmónica de Arouca versão para impressão enviar por e-mail
Escrito por O Primeiro de Janeiro   
31-Mar-2007
Banda Musical de AroucaIvo Emanuel Duarte Brandão tem 26 anos e é natural de Arouca, com a particularidade de ser possivelmente o mais jovem presidente de Direcção de uma Banda de Música, já que, desde 2001, dirige os destinos da Banda Filarmónica de Arouca, instituição fundada em 1825. Ivo Brandão
Como vive um jovem em Arouca?
Não sou propriamente um exemplo, já que tive uma série de felicidades. Consegui trabalhar na Câmara Municipal, numa parceria desta com o Projecto EDV – Digital, o que para mim é uma felicidade, já que é a minha terra, onde estive e estou envolvido numa série de actividades, inclusive a Banda de Música. Nesta Banda já estou há bastante tempo, quer como músico, quer como director, já que tinha 16 anos quando me estreei como músico. Esta vai ser a 11ª época como músico.

Como é que um músico tão jovem aparece no mais alto cargo dirigente?
Foi uma conjuntura. As coisas sucederam-se sem serem provocadas. A certa altura houve um vazio directivo e depois disso fui convidado por alguns dos músicos e dos directores mais antigos para integrar uma equipa heterogénea com músicos e directores que já estavam na Banda há muito tempo e com pessoas novas que estavam a chegar e com vontade de trabalhar e de fazer algumas mudanças para melhor.

A sua formação profissional é em que área?
Terminei o curso na Escola de Formação de Jornalismo em 2002. O meu primeiro ano como dirigente da Banda ainda foi feito comigo no Porto, onde estudava. Depois fiz muita coisa, passei pela Formação Profissional em Rio Meão, como formador e em algumas associações que davam formação profissional aqui na região. Estive a fazer um estágio na TSF e actualmente estou, como disse, a trabalhar no EDV–Digital, fazendo a ligação deste com a Câmara de Arouca, tratando dos conteúdos locais e outros trabalhos de apoio na área informativa.

Voltando à sua actividade na Banda de Música, a sua família tem ou teve ligações com esta que o motivaram a seguir-lhe o exemplo?
Tenho um tio-avô, Francisco Miranda, que já foi músico e ainda está bastante activo no meio associativo arouquense, embora mais retirado e tem as suas histórias e em parte influenciou a minha escolha.

Apesar de tudo Idade não limita respeito

Como é que os músicos mais antigos acatam as directivas de um presidente tão jovem (tinha 20 anos quando aceitou esse cargo)?
O que é curioso é que neste momento não temos muitos músicos antigos na Banda. Tem havido uma renovação natural. Só dois músicos é que estão há mais de 50 anos, fazendo igualmente parte do corpo directivo. Julgo que a média de idades não ultrapassa os 35 anos. Temos muita gente nova e a nossa grande ambição é a de formar a Banda só com «prata da casa», músicos aqui formados na nossa escola de Música.

Banda ja actuou no estrangeiro

A Banda já actuou no estrangeiro?
Sim e foi uma felicidade para mim, já que aconteceu no 1º ano do meu mandato. Fomos em 2001, ao abrigo de um acordo de geminação entre as Câmaras de Arouca e Poulier – França. Foi um acontecimento marcante para nós todos, desde os dirigentes, aos músicos, ao tempo regidos por Valdemar Noites, que actualmente voltou a ser clarinete na banda (por sua vontade).

É difícil manter uma Banda em actividade?
É complicado, não só para a Banda de Arouca, mas para qualquer outra, estamos a falar de uma associação que envolve cerca de 70 músicos, mais 30 alunos e 10 professores, os instrumentos de música e sua manutenção são caríssimos, não é muito fácil, mas graças a uma gestão racional e regrada as coisas não têm corrido muito mal.

Está ligado a mais algum movimento associativo?
Sim, neste momento, enquanto maestro, estou a dirigir o Orfeão de Arouca, desde Abril de 2006, também está a ser uma experiência nova, já que estou a concluir os meus estudos na Academia de Música de Vilar do Paraíso, em formação musical e análises e técnicas de composição.

Globalmente como vê o movimento associativo de Arouca?
Em geral existem associações a fazerem um bom trabalho, isso é notório e temos vários exemplos. Em Rossas, o Teatro e as associações que por lá vão fazendo um trabalho fantástico. Temos as Bandas, não só a de Arouca, mas também a de Figueiredo do Burgo, que tem sido notável ao nível da formação de jovens músicos e em Alvarenga, o mesmo se passa. Temos em Canelas o Rancho das Lavradeiras, com um trabalho fantástico, outro exemplo é o do rancho Etnográfico de Moldes.

Entrevista conduzida por Valter Santos, In "O Primeiro de Janeiro" - Suplemento EDV
 
     
 


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