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Camiões vão parar versão para impressão enviar por e-mail
Escrito por Correio da Manhã   
24-Jul-2005
Os transportadores rodoviários de mercadorias vão parar milhares de camiões a partir de quarta-feira, dia 27, para exigir ao Governo medidas de apoio. A paralisação vai afectar todos os sectores da economia e a construção civil deve ser a mais afectada. Mas produtos como o pão ou o leite podem vir a faltar também por causa do protesto.
O aumento do preço do gasóleo atirou o sector dos transportes para um dos “piores períodos de sempre” e os empresários querem ser ajudados para evitar uma derrapagem irreversível.

Reunidos ontem em Viseu, os responsáveis pelas empresas transportadoras que vão participar no protesto deixaram um aviso: “É bom que esta situação seja olhada com muita cautela, pois pode tornar-se explosiva”.

A organização da manifestação surgiu de forma espontânea, mas conta com o apoio incondicional da Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias (ANTRAM). “Parece ser a única medida para tentar quebrar a situação de abandono a que tem sido votado o sector” pelos sucessivos governos, justifica Abel Marques, secretário-geral da associação.

“Queremos perguntar ao senhor primeiro-ministro se acha bem que a indústria transportadora pague o seu elemento de produção essencial (gasóleo) ao mesmo preço que o proprietário de um barco de recreio”, acrescenta o dirigente.

Em Portugal existem mais de 50 mil camiões de transporte de mercadorias profissionais. Ontem, estava já garantida a paralisação de mais de quatro veículos. As consequências para a economia nacional são imprevisíveis.

Desta forma, os transportadores pretendem “alertar e sensibilizar os governantes para a situação deprimente que se vive no País e no sector devido à falta de medidas estruturais que permitam uma maior competitividade”. E exigir, entre outras medidas, a criação do gasóleo profissional, com a redução de impostos.

Num manifesto que foi posto a circular no meio empresarial, os organizadores do protesto alertam ainda para o aumento da instalação de empresas portuguesas em Espanha. “Não como estratégia de internacionalização mas sim de deslocalização”, referem.

PASSAGEIROS FICAM EM TERRA

A jornada de luta prevista para esta semana não é a única no sector dos transportes. A partir de 5 de Setembro, as empresas transportadoras de passageiros ameaçam iniciar uma greve que se irá prolongar pelo menos até ao fim do mês.

Segundo Luís Cabaço Martins, vice-presidente da Associação Nacional dos Transportadores Rodoviários de Pesados de Passageiros (ANTROP), as paralisações serão parciais, devendo verificar-se entre as 10h00 e as 16h00.

Representativa de 120 empresas, com uma frota de mais de oito mil autocarros, a ANTROP defende o desagravamento do IPS sobre o gasóleo para fins profissionais, como forma de minimizar os efeitos do aumento do preço dos combustíveis.

Nas reivindicações que endereçaram ao Governo, os dirigentes da associação exigiram também a revisão tarifária dos títulos de transporte colectivo rodoviário de passageiros e a compensação dos descontos sociais.


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