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Concurso Nacional de Bovinos e Semana Gastronómica divulgaram a Raça Arouquesa | Concurso Nacional de Bovinos e Semana Gastronómica divulgaram a Raça Arouquesa |
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| Escrito por Ivo Brandao - CMA | |
| 31-Ago-2006 | |
A paisagem serrana não tem a mesma vida sem os exemplares de arouquês que povoam estas paragens. Deslocando-se lentamente, amistosos, facilmente assustáveis, estes animais são de uma robustez pouco vulgar, tendo em conta os poucos recursos alimentares de que dispõem pelas encostas serranas. Em muitos casos vão ainda substituindo as máquinas, e podem ter uma vida útil de 16 a 18 anos. Pode dizer-se que a pacatez das montanhas onde vivem habita nestes animais, cuja beleza é tanta quanto saborosa é a carne que nos oferecem. E foi com base nestas duas vertentes, a gastronómica e a da divulgação e preservação da raça, que a Associação de Agricultores de Arouca (AACA), em colaboração com a Associação Nacional de Criadores de Raça Arouquesa (ANCRA) e a Câmara Municipal de Arouca, levou a cabo duas iniciativas que atraíram muita gente a Arouca durante a última semana. Falamos da XI Semana Gastronómica da Raça Arouquesa, que decorreu de 21 a 28 de Agosto, e, em simultâneo, o XXI Concurso Nacional de Bovinos de Raça Arouquesa, que aconteceu a 26 de Agosto. A vertente gastronómicaA Semana Gastronómica da Raça Arouquesa decorria já desde dia 21 de Agosto. Os oito restaurantes aderentes à iniciativa iam apurando os seus temperos, preparando as mesas, os vinhos e os petiscos para que os que ali fossem à procura da genuína carne arouquesa a pudessem encontrar na sua melhor forma. À medida que se aproximava o fim-de-semana, atraídos pelo perfume desta carne única, que ia sendo cozinhada no Terreiro de Santa Mafalda, eram muitos os que ali iam passando e ficando, aproveitando as “tasquinhas”, que ofereciam saborosos pratos.Pela primeira vez fora da Feira das Colheitas, esta iniciativa da Associação de Agricultores do Concelho de Arouca foi atraindo, ao Terreiro de Santa Mafalda e aos restaurantes aderentes, um largo número de pessoas, à procura das virtudes do sabor da carne arouquesa. António Brandão de Almeida, presidente da AACA, sem receios, refere que «inevitavelmente, houve falhas, até porque foi a primeira vez que a Semana Gastronómica teve vida própria, fora da Feira das Colheitas», apontando as principais falhas «ao nível da divulgação. Em termos de Turismo, este evento tem interesse. Por parte da Rota da Luz e da própria Câmara Municipal de Arouca podia ter havido um maior esforço para se divulgar a Semana Gastronómica». Contudo, o presidente da Associação de Agricultores acredita que esta Semana Gastronómica pode evoluir. «Se tivermos os apoios devidos, e com mais associações e entidades ligadas ao sector, podemos transformar isto numa Feira de Gastronomia, por exemplo, com outra dimensão», aponta aquele responsável. E os avanços feitos no certame deste ano demonstram que esse caminho pode muito bem ser percorrido. Pela primeira vez, a organização apostou não só nas “tasquinhas” no Terreiro, mas também na animação daquele espaço. Para José Ferreira, Engenheiro Zootécnico da AACA, e membro da organização, «a qualidade da animação equiparou-se à qualidade da carne servida. Apesar dos preços rondarem os 10 a 15 euros por refeição, houve uma adesão muito interessante. Provou-se e comprovou-se a qualidade do arouquês». A animação esteve a cargo de cinco grupos, de vários estilos, desde o Jazz à música tradicional. Os Gaiteirus, da cidade do Porto, assumiram a animação de rua, ao passo que a animação musical esteve a cargo do Grupo de Cavaquinhos do Grupo Cultural, Desportivo e Recreativo do Burgo, do cantor Rui David, do Trio Jazz de Jeffrey Davis e do agrupamento Banda Cool. José Ferreira admite que «é necessário avaliar a edição deste ano e pensar no futuro. Talvez faça sentido, a continuar, que se convidem restaurantes de fora do concelho que estejam dentro do solar do arouquês». Numa coisa os organizadores estão de acordo: apesar dos benefícios para o concelho e da projecção que este evento pode potenciar, «a Semana Gastronómica, feitas as contas, dá prejuízo à Associação de Agricultores», refere o presidente António Almeida. XXI Concurso Nacional de Bovinos de Raça ArouquesaEm simultâneo, no dia 26 de Agosto, com o apoio da Associação Nacional de Criadores de Raça Arouquesa (ANCRA) e da Câmara Municipal de Arouca, decorreu o XXI Concurso Nacional de Bovinos de Raça Arouquesa. O local escolhido foi o Lugar de Boco. Há vinte anos que o Concurso Nacional não se realizava em Arouca, tendo sido esta apenas a segunda vez que se realizou no nosso concelho.Ainda cedo, começaram a chegar os primeiros criadores, com os seus exemplares. À hora marcada para o início do Concurso, já se notava um pouco do bulício que outrora caracterizava este tipo de acontecimentos. As feiras de gado eram ponto de encontro, de comparação, de avaliação da propriedade de cada agricultor, motivo para se colocar “a escrita em dia”. Ao terminar a avaliação da segunda categoria, já havia quem dissesse na assistência, com o apoio de vários companheiros, que todos deveriam ser premiados, dada a qualidade dos animais que por ali iam passando. No final da avaliação dos bovinos, seguiu-se um desfile pelas ruas da vila, que surpreendeu muitos transeuntes, pela imponência dos animais, pela quantidade, pela originalidade. Eram precisamente 124 os animais inscritos, representando cerca de 100 criadores. De salientar o facto de os criadores arouquenses terem arrecadado alguns prémios, atribuídos por um júri a quem todos reconheceram competência para avaliar os animais em causa. Para o presidente da AACA «o Concurso excedeu as expectativas, apesar de a divulgação, mais uma vez, não ter sido a melhor», sublinhando ainda que «o desfile conferiu ao Concurso uma espectacularidade única». Manuel Cirnes, Engenheiro, membro da Direcção da ANCRA afirmou que este Concurso decorreu dentro da normalidade. «Houve 124 inscrições, o que, para este tipo de concursos, é o normal. Os agricultores sabem que há uma quantidade reduzida de prémios e conhecem a qualidade dos animais uns dos outros, procurando apenas trazer os exemplares que sabem que têm possibilidades de arrecadar prémios». Ao mesmo tempo, enfatizou o envolvimento da Câmara Municipal de Arouca: «parabéns à Câmara Municipal de Arouca, que demonstrou, pelo seu envolvimento no Concurso, ter interesse pelas questões da Agricultura. Não é normal encontrarmos este tipo de apoio». O investimento neste Concurso rondou os 15 mil euros, valor que, na opinião de José Ferreira, da AACA, «não é muito alto». Este membro da organização enaltece «o apoio logístico da Câmara de Arouca, que foi muito bom, tendo em conta as dificuldades decorrentes do facto de estarmos em mês de férias», não escondendo, contudo, que «o financiamento ficou um pouco aquém do que a grandeza do evento reclamava». Contudo, diz ainda, «em Cinfães, todas as Juntas de Freguesia apoiam estes concursos, mesmo que seja com pouco. Em Arouca, há Juntas de Freguesia, com quem a AACA tem uma relação de cooperação, que não corresponderam ao apelo», apesar de «felicitar as que apoiaram» (Juntas de Freguesia de Arouca e Cabreiros). «A AACA agradece ainda aos criadores, aos Bombeiros Voluntários, à ANCRA, à Região de Turismo Rota da Luz e à Câmara Municipal, que deram o seu contributo para que o Concurso tivesse o sucesso que teve», remata. Uma semana dedicada ao arouquêsCom estes dois eventos, a Raça Arouquesa voltou a chamar a atenção dos arouquenses, numa altura em que, adiantam os intervenientes do sector, o número de animais desta espécie tem aumentado em Arouca. Em jeito de balanço, o presidente da Câmara Municipal de Arouca, Artur Neves, afirma isso mesmo: «segundo informações da ANCRA, a Raça Arouquesa tem vindo a crescer em Arouca. Éramos o sétimo concelho, em termos de presença da espécie, e, dizem os responsáveis, estamos agora em terceiro lugar».Este autarca não esconde que «a Câmara está preocupada com as questões agrícolas, e em particular com o arouquês». A prová-lo está o envolvimento neste Concurso Nacional e «a vontade em que mais edições se possam realizar em Arouca», para além do aproveitamento que se pretende dar à vertente leiteira destes animais, com «a implantação da queijaria de leite de arouquês em Alvarenga, no âmbito das relações de geminação com a cidade de Poligny». Em Arouca, nesta como em outras situações, vão trabalhando algumas entidades que asseguram a continuidade de alguns eventos marcantes. Neste caso concreto, a vertente gastronómica continua a ser a preponderante, levantando algumas dificuldades no processo de certificação da carne, para que não se desvirtue a carne arouquesa. Para além da ANCRA, cuja sede se situa em Cinfães, a AACA e a Confraria Gastronómica da Raça Arouquesa têm vindo a desenvolver acções neste domínio, porque, como refere António Brandão de Almeida, «se nada se fizer pela preservação da raça, ela corre o risco de desaparecer». Relacionado:
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