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Edgar Soares quer inverter dificuldades sentidas em Alvarenga
Edgar Soares quer inverter dificuldades sentidas em Alvarenga
Edgar Tavares Morais Soares, que já foi vereador na Câmara Municipal de Arouca, preside agora aos destinos da freguesia de Alvarenga. Os problemas da interioridade sentidos pela população são uma das realidades que o autarca quer mudar.
Como está a ser a experiência como presidente da Junta de Freguesia, já que também foi vereador da Câmara Municipal de Arouca?
É sempre uma experiência renovada esta vida autárquica. Já tinha passado por aqui, depois estive na Câmara como vereador e voltei agora depois de estar quatro anos desligado da vida autárquica. Mas, convenceram-me a regressar de novo, e estou a assumir estas funções com agrado, porque servir o povo, ouvir as pessoas, é uma coisa que se faz por respeito à população que em nós acredita e que ma habituei a respeitar deste muito novo! Pena é que os recursos sejam tão limitados e as respostas não sejam as que nós desejaríamos dar.
Que retrato traça da freguesia?
É uma freguesia com quase 40 km2 e a que está mais distante da sede do concelho, a 24 km. Faz parte de um grupo de 20 freguesias do vasto concelho de Arouca. Isso traz-nos imensas dificuldades e a população sofre todos os problemas de uma interioridade muito profunda e muito sentida aqui. Tanto no aspecto de repartições públicas, como da falta de instituições bancárias, para além da vida autárquica, tudo isto traz dificuldades acrescidas. Acresce-se a falta de transportes para a sede do concelho.
Para lá das dificuldades que nos apresenta, quais as valências que Alvarenga pode potencializar?
Não temos tudo de mau, felizmente. Temos a fama de ser uma terra de habitantes cultos. Já nos anos 70 existiam em Alvarenga 22 médicos naturais desta freguesia. Agora serão em maior número os universitários formados e daqui originários. O mal é que por falta de condições radicam-se noutras urbes mais centralizadas, o que quer dizer que a grande parte da inteligência de Alvarenga está fora daqui!Mas, continuam a vir até cá aos fins-de-semana e períodos de férias e vão comungando connosco das coisas boas que temos cá. Alvarenga é muito conhecida pelas suas paisagens e boa gastronomia. Só restaurantes de qualidade temos sete na freguesia e alguns com capacidade para centenas de pessoas. Aos fins-de-semana vêm cá centenas de turistas.
Portanto, há muitas potencialidades...
O rio Paiva, que passa abaixo de Alvarenga, arrasta consigo milhares de pessoas para a prática de desportos radicais, sendo considerado o melhor da Europa para certas práticas de desportos fluviais. Inclusive, já se criou em Alvarenga uma empresa dedicada a esses desportos e, no ano passado, cerca de 2000 pessoas recorreram aos seus serviços. Depois, temos a serra com todas as suas particularidades, estando mesmo localizado o ponto mais alto do concelho de Arouca na nossa freguesia, situado no lugar de S. Pedro e a que nós chamamos o lugar da «pedra posta».
Qual a actividade a que se dedica maioritariamente a população?
Quase toda a gente tem algo a ver com a agricultura. Existem algumas vacarias e a venda do leite é uma mais-valia para os donos. Também há alguma pastorícia e temos agora aqui uma queijaria fundada por um casal jovem de lisboetas, que já está a produzir queijo de cabra de uma qualidade muito interessante e muito apreciada. Temos um produtor de vinhos, mas sem dúvida que a restauração é a mais-valia de Alvarenga e que lhe dá fama e proveito! Temos ainda a referenciar os muitos madeireiros existentes na região.
Quais as maiores prioridades da freguesia?
Em termos de saneamento e de abastecimento de águas ainda há muito a fazer. No vale está quase tudo resolvido, mas existem muitos lugares ainda carenciados. Inaugurámos recentemente uma ETAR, mas ainda não está totalmente funcional, caminhando, no entanto, para ser encontrada uma solução. O actual presidente da Câmara de Arouca, que já foi presidente da Junta de Freguesia de Alvarenga, está atento a estas e outras questões. Não lhe pedimos que beneficie a nossa terra em detrimento das outras freguesias, mas sim que ajude a corrigir as assimetrias que sofremos.
Quais as outras apostas do seu mandato?
Uma das apostas do meu mandato é o apoio à terceira idade. Estamos a criar valências, como o apoio domiciliário, e vamos construir, a médio prazo, um lar para a terceira idade. Apostamos ainda na criação de uma Pousada da Juventude, estando neste momento o projecto a ser elaborado pelo GAT Gabinete de Apoio aos Municípios do Entre Douro e Vouga.
Parque escolar
Como está o actual parque escolar de Alvarenga?
O problema escolar retrata em Alvarenga o que se passa no interior do país. Falamos da desertificação. Em 10 anos perdemos entre 100 a 150 alunos e houve uma altura em que reinvidicámos com muita força a criação de uma escola do tipo EB 2-3 aqui em Alvarenga. Foi um problema que se arrastou por muitos anos e o bairrismo exarcerbado de duas freguesias (Escariz e Mansores) fez perder-se a oportunidade. Assim, e concluindo, posso dizer que fecharam já quatro escolas na freguesia. Neste momento, temos uma população de cerca de 90 alunos em Alvarenga.
As associações como é que sobrevivem?
Temos várias. A Banda de Música de Alvarenga (da qual sou presidente) tem 45 elementos e uma escola de música. Esta foi a primeira a ter elementos femininos no seu naipe de músicos, o que aconteceu no ano de 1966. O grupo de futebol de Alvarenga, que anda na 3ª Divisão Distrital, a Casa do Povo, que tem um rancho folclórico fundado em 1977 e que neste fim-de-semana leva a cabo o seu festival, a Casa de Cultura e Recreio de Alvarenga, O Jornal Jovem de Alvarenga e outras que vão vivendo da carolice das pessoas e vão mantendo viva alguma chama cultural e de entretenimento. Temos ainda uma nova associação, a BIOALVA, que emerge de um grupo de intelectuais da área da arqueologia e, neste momento, já têm referenciado um castelo roqueiro aqui em Alvarenga. É presidida por um arquitecto natural da freguesia, Pedro Robalo Teles, que reside em Lisboa, mas que está aqui normalmente aos fins-de-semana. O seu bisavô, Artur Teles, foi mesmo, em 1902, um dos fundadores da Banda de Música de Alvarenga.
A EN 225 está uma vergonha....
escrito por Adolfo D. Teixeira, Agosto 01, 2006
É sempre uma experiência renovada esta vida autárquica. Já tinha passado por aqui, depois estive na Câmara como vereador e voltei agora depois de estar quatro anos desligado da vida autárquica. Mas, convenceram-me a regressar de novo, e estou a assumir estas funções com agrado, porque servir o povo, ouvir as pessoas, é uma coisa que se faz por respeito à população que em nós acredita e que ma habituei a respeitar deste muito novo! Pena é que os recursos sejam tão limitados e as respostas não sejam as que nós desejaríamos dar.
Que retrato traça da freguesia?
É uma freguesia com quase 40 km2 e a que está mais distante da sede do concelho, a 24 km. Faz parte de um grupo de 20 freguesias do vasto concelho de Arouca. Isso traz-nos imensas dificuldades e a população sofre todos os problemas de uma interioridade muito profunda e muito sentida aqui. Tanto no aspecto de repartições públicas, como da falta de instituições bancárias, para além da vida autárquica, tudo isto traz dificuldades acrescidas. Acresce-se a falta de transportes para a sede do concelho.
Para lá das dificuldades que nos apresenta, quais as valências que Alvarenga pode potencializar?
Não temos tudo de mau, felizmente. Temos a fama de ser uma terra de habitantes cultos. Já nos anos 70 existiam em Alvarenga 22 médicos naturais desta freguesia. Agora serão em maior número os universitários formados e daqui originários. O mal é que por falta de condições radicam-se noutras urbes mais centralizadas, o que quer dizer que a grande parte da inteligência de Alvarenga está fora daqui!Mas, continuam a vir até cá aos fins-de-semana e períodos de férias e vão comungando connosco das coisas boas que temos cá. Alvarenga é muito conhecida pelas suas paisagens e boa gastronomia. Só restaurantes de qualidade temos sete na freguesia e alguns com capacidade para centenas de pessoas. Aos fins-de-semana vêm cá centenas de turistas.
Portanto, há muitas potencialidades...
O rio Paiva, que passa abaixo de Alvarenga, arrasta consigo milhares de pessoas para a prática de desportos radicais, sendo considerado o melhor da Europa para certas práticas de desportos fluviais. Inclusive, já se criou em Alvarenga uma empresa dedicada a esses desportos e, no ano passado, cerca de 2000 pessoas recorreram aos seus serviços. Depois, temos a serra com todas as suas particularidades, estando mesmo localizado o ponto mais alto do concelho de Arouca na nossa freguesia, situado no lugar de S. Pedro e a que nós chamamos o lugar da «pedra posta».
Qual a actividade a que se dedica maioritariamente a população?
Quase toda a gente tem algo a ver com a agricultura. Existem algumas vacarias e a venda do leite é uma mais-valia para os donos. Também há alguma pastorícia e temos agora aqui uma queijaria fundada por um casal jovem de lisboetas, que já está a produzir queijo de cabra de uma qualidade muito interessante e muito apreciada. Temos um produtor de vinhos, mas sem dúvida que a restauração é a mais-valia de Alvarenga e que lhe dá fama e proveito! Temos ainda a referenciar os muitos madeireiros existentes na região.
Quais as maiores prioridades da freguesia?
Em termos de saneamento e de abastecimento de águas ainda há muito a fazer. No vale está quase tudo resolvido, mas existem muitos lugares ainda carenciados. Inaugurámos recentemente uma ETAR, mas ainda não está totalmente funcional, caminhando, no entanto, para ser encontrada uma solução. O actual presidente da Câmara de Arouca, que já foi presidente da Junta de Freguesia de Alvarenga, está atento a estas e outras questões. Não lhe pedimos que beneficie a nossa terra em detrimento das outras freguesias, mas sim que ajude a corrigir as assimetrias que sofremos.
Quais as outras apostas do seu mandato?
Uma das apostas do meu mandato é o apoio à terceira idade. Estamos a criar valências, como o apoio domiciliário, e vamos construir, a médio prazo, um lar para a terceira idade. Apostamos ainda na criação de uma Pousada da Juventude, estando neste momento o projecto a ser elaborado pelo GAT Gabinete de Apoio aos Municípios do Entre Douro e Vouga.
Parque escolar
Como está o actual parque escolar de Alvarenga?
O problema escolar retrata em Alvarenga o que se passa no interior do país. Falamos da desertificação. Em 10 anos perdemos entre 100 a 150 alunos e houve uma altura em que reinvidicámos com muita força a criação de uma escola do tipo EB 2-3 aqui em Alvarenga. Foi um problema que se arrastou por muitos anos e o bairrismo exarcerbado de duas freguesias (Escariz e Mansores) fez perder-se a oportunidade. Assim, e concluindo, posso dizer que fecharam já quatro escolas na freguesia. Neste momento, temos uma população de cerca de 90 alunos em Alvarenga.
As associações como é que sobrevivem?
Temos várias. A Banda de Música de Alvarenga (da qual sou presidente) tem 45 elementos e uma escola de música. Esta foi a primeira a ter elementos femininos no seu naipe de músicos, o que aconteceu no ano de 1966. O grupo de futebol de Alvarenga, que anda na 3ª Divisão Distrital, a Casa do Povo, que tem um rancho folclórico fundado em 1977 e que neste fim-de-semana leva a cabo o seu festival, a Casa de Cultura e Recreio de Alvarenga, O Jornal Jovem de Alvarenga e outras que vão vivendo da carolice das pessoas e vão mantendo viva alguma chama cultural e de entretenimento. Temos ainda uma nova associação, a BIOALVA, que emerge de um grupo de intelectuais da área da arqueologia e, neste momento, já têm referenciado um castelo roqueiro aqui em Alvarenga. É presidida por um arquitecto natural da freguesia, Pedro Robalo Teles, que reside em Lisboa, mas que está aqui normalmente aos fins-de-semana. O seu bisavô, Artur Teles, foi mesmo, em 1902, um dos fundadores da Banda de Música de Alvarenga.
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Comentários (1)

escrito por Adolfo D. Teixeira, Agosto 01, 2006
Conheço o Sr. Presidente da Junta de Freguesia, sei que é um lutador e lamento que se tenha esquecido de referir o estado de abandono completo que chegou a Estrada Nacional 225, no troço desde Alvarenga até Nespereira. Aquilo parece um caminho de cabras e não uma estrada nacional que deveria servir uma vasta região do Vale do Paiva e estabelecer ligação para o Porto. Outrora isto não se passava, Alvarenga tinha peso suficiente para bater o pé aos srs da JAE, hoje está tudo abandonado, ou será que os autarcas de Alvarenga só se interessam pela EN que faz ligação para a vila...contudo parabéns ao autarca pela seu interesse, se fosse com outro, não queria saber mais de politica local...
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