| Edgar Soares quer inverter dificuldades sentidas em Alvarenga |
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| Escrito por O Primeiro de Janeiro | |||||
| 27-Jul-2006 | |||||
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É sempre uma experiência renovada esta vida autárquica. Já tinha passado por aqui, depois estive na Câmara como vereador e voltei agora depois de estar quatro anos desligado da vida autárquica. Mas, convenceram-me a regressar de novo, e estou a assumir estas funções com agrado, porque servir o povo, ouvir as pessoas, é uma coisa que se faz por respeito à população que em nós acredita e que ma habituei a respeitar deste muito novo! Pena é que os recursos sejam tão limitados e as respostas não sejam as que nós desejaríamos dar. Que retrato traça da freguesia? É uma freguesia com quase 40 km2 e a que está mais distante da sede do concelho, a 24 km. Faz parte de um grupo de 20 freguesias do vasto concelho de Arouca. Isso traz-nos imensas dificuldades e a população sofre todos os problemas de uma interioridade muito profunda e muito sentida aqui. Tanto no aspecto de repartições públicas, como da falta de instituições bancárias, para além da vida autárquica, tudo isto traz dificuldades acrescidas. Acresce-se a falta de transportes para a sede do concelho. Para lá das dificuldades que nos apresenta, quais as valências que Alvarenga pode potencializar? Não temos tudo de mau, felizmente. Temos a fama de ser uma terra de habitantes cultos. Já nos anos 70 existiam em Alvarenga 22 médicos naturais desta freguesia. Agora serão em maior número os universitários formados e daqui originários. O mal é que por falta de condições radicam-se noutras urbes mais centralizadas, o que quer dizer que a grande parte da inteligência de Alvarenga está fora daqui!Mas, continuam a vir até cá aos fins-de-semana e períodos de férias e vão comungando connosco das coisas boas que temos cá. Alvarenga é muito conhecida pelas suas paisagens e boa gastronomia. Só restaurantes de qualidade temos sete na freguesia e alguns com capacidade para centenas de pessoas. Aos fins-de-semana vêm cá centenas de turistas. Portanto, há muitas potencialidades... O rio Paiva, que passa abaixo de Alvarenga, arrasta consigo milhares de pessoas para a prática de desportos radicais, sendo considerado o melhor da Europa para certas práticas de desportos fluviais. Inclusive, já se criou em Alvarenga uma empresa dedicada a esses desportos e, no ano passado, cerca de 2000 pessoas recorreram aos seus serviços. Depois, temos a serra com todas as suas particularidades, estando mesmo localizado o ponto mais alto do concelho de Arouca na nossa freguesia, situado no lugar de S. Pedro e a que nós chamamos o lugar da «pedra posta». Qual a actividade a que se dedica maioritariamente a população? Quase toda a gente tem algo a ver com a agricultura. Existem algumas vacarias e a venda do leite é uma mais-valia para os donos. Também há alguma pastorícia e temos agora aqui uma queijaria fundada por um casal jovem de lisboetas, que já está a produzir queijo de cabra de uma qualidade muito interessante e muito apreciada. Temos um produtor de vinhos, mas sem dúvida que a restauração é a mais-valia de Alvarenga e que lhe dá fama e proveito! Temos ainda a referenciar os muitos madeireiros existentes na região. Quais as maiores prioridades da freguesia? Em termos de saneamento e de abastecimento de águas ainda há muito a fazer. No vale está quase tudo resolvido, mas existem muitos lugares ainda carenciados. Inaugurámos recentemente uma ETAR, mas ainda não está totalmente funcional, caminhando, no entanto, para ser encontrada uma solução. O actual presidente da Câmara de Arouca, que já foi presidente da Junta de Freguesia de Alvarenga, está atento a estas e outras questões. Não lhe pedimos que beneficie a nossa terra em detrimento das outras freguesias, mas sim que ajude a corrigir as assimetrias que sofremos. Quais as outras apostas do seu mandato? Uma das apostas do meu mandato é o apoio à terceira idade. Estamos a criar valências, como o apoio domiciliário, e vamos construir, a médio prazo, um lar para a terceira idade. Apostamos ainda na criação de uma Pousada da Juventude, estando neste momento o projecto a ser elaborado pelo GAT – Gabinete de Apoio aos Municípios do Entre Douro e Vouga. Parque escolar Como está o actual parque escolar de Alvarenga? O problema escolar retrata em Alvarenga o que se passa no interior do país. Falamos da desertificação. Em 10 anos perdemos entre 100 a 150 alunos e houve uma altura em que reinvidicámos com muita força a criação de uma escola do tipo EB 2-3 aqui em Alvarenga. Foi um problema que se arrastou por muitos anos e o bairrismo exarcerbado de duas freguesias (Escariz e Mansores) fez perder-se a oportunidade. Assim, e concluindo, posso dizer que fecharam já quatro escolas na freguesia. Neste momento, temos uma população de cerca de 90 alunos em Alvarenga. As associações como é que sobrevivem? Temos várias. A Banda de Música de Alvarenga (da qual sou presidente) tem 45 elementos e uma escola de música. Esta foi a primeira a ter elementos femininos no seu naipe de músicos, o que aconteceu no ano de 1966. O grupo de futebol de Alvarenga, que anda na 3ª Divisão Distrital, a Casa do Povo, que tem um rancho folclórico fundado em 1977 e que neste fim-de-semana leva a cabo o seu festival, a Casa de Cultura e Recreio de Alvarenga, O Jornal Jovem de Alvarenga e outras que vão vivendo da carolice das pessoas e vão mantendo viva alguma chama cultural e de entretenimento. Temos ainda uma nova associação, a BIOALVA, que emerge de um grupo de intelectuais da área da arqueologia e, neste momento, já têm referenciado um castelo roqueiro aqui em Alvarenga. É presidida por um arquitecto natural da freguesia, Pedro Robalo Teles, que reside em Lisboa, mas que está aqui normalmente aos fins-de-semana. O seu bisavô, Artur Teles, foi mesmo, em 1902, um dos fundadores da Banda de Música de Alvarenga. Relacionado:
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Adolfo D. Teixeira
disse:
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| Conheço o Sr. Presidente da Junta de Freguesia, sei que é um lutador e lamento que se tenha esquecido de referir o estado de abandono completo que chegou a Estrada Nacional 225, no troço desde Alvarenga até Nespereira. Aquilo parece um caminho de cabras e não uma estrada nacional que deveria servir uma vasta região do Vale do Paiva e estabelecer ligação para o Porto. Outrora isto não se passava, Alvarenga tinha peso suficiente para bater o pé aos srs da JAE, hoje está tudo abandonado, ou será que os autarcas de Alvarenga só se interessam pela EN que faz ligação para a vila...contudo parabéns ao autarca pela seu interesse, se fosse com outro, não queria saber mais de politica local... | |
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